A Batalha dos Bastardos e o rastro de clichês deixados pelo caminho

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Não me entendam errado. Como (presumo eu) a maioria de vocês, eu assisti ao novo episódio de Game of Thrones na noite passada mordendo os lábios de ansiedade e aguardando ansiosamente as cenas de violência que levariam à inevitável derrota arrasadora de Ramsay (Snow?) Bolton. Sim, o episódio foi incrível e as cenas de batalha entregaram tudo aquilo que vinha sendo prometido, mas a minha crítica vai além disso: Game of Thrones deixa claro, mais do que nunca, que se rendeu ao mesmo destino de outras grandiosas séries promissoras: O clichê.

Vamos voltar lá para o início e nos lembrar a razão pela qual a primeira temporada nos deixou sem fôlego: A morte de Ned Stark. Como raramente acontece, Game of Thrones assassinou um de seus protagonistas logo de cara, colocando seus fãs em uma posição de se questionar se, no cruel universo de Westeros, qualquer coisa seria mesmo possível. Naquele momento, fomos condicionados a estabelecer uma relação de medo com a série, que apenas se fortaleceu com o Red Wedding e seu sucessor, o Purple Wedding. Quando Ned Stark caiu, nossas esperanças heróicas recaíram sobre os ombros de Robb Stark, cruelmente destruído sob o teto de Walder Frey. E, quando o poder nas mãos cruéis de Joffrey parecia apenas se fortalecer, assistimos um garoto de apenas 14 anos desfalecer nos braços da mãe.

No entanto, sejamos honestos – Desde a morte de Joffrey, Game of Thrones vem caindo na fórmula de clichês que se seguiram, e a Batalha dos Bastardos foi a coroação máxima deste fato.

  1. MORTES IRRELEVANTES SE FINGINDO DE IMPORTANTES: Todos nós vibramos e criamos teorias quando Rickon Stark ressurgiu nas telas. Todos estávamos errados. O retorno do mais jovem Stark serviu apenas um propósito: Forjar uma morte relevante quando não podíamos perder um protagonista. Isso mesmo! Para mostrar mais uma vez a crueldade de Ramsey, o elenco precisava se dispor de um personagem importante, mas a produção escolheu apenas reciclar o sobrenome Stark, tirando a vida do mais irrelevante entre eles. Pessoalmente, achei a cena ESPETACULAR. Quando a batalha finalmente inicia e vemos dezenas de flechas acertarem o corpo inerte de Rickon, pensei na hora que aquela era uma das cenas mais lindas que a série produziu, mas foi apenas isso.
  2. A SÍNDROME DO QUASE: Não é de hoje que se utiliza esse formato narrativo. Os mocinhos nunca possuem a mesma força bruta dos vilões. Sempre caímos na mesma história, e essa batalha não foi diferente: O mocinho QUASE perde, mas no final há a reviravolta. Já vimos isso milhões de vezes e eu aposto que ninguém realmente chegou a acreditar que Ramsey tinha qualquer chance de sobreviver a este episódio.
  3. OS HERÓIS IMPROVÁVEIS: Alguém aqui ficou surpreso com a chegada de Littlefinger? Alguém aqui não sabia que Sansa provaria a Jon que ela tinha razão? Tá, nem preciso aprofundar, né?
  4. NENHUMA PERDA RELEVANTE: O exército de Jon Snow oferecia muitos personagens que poderiam perder suas vidas, especialmente com a armadilha – maravilhosa, por sinal – de Ramsey Bolton. Mas, novamente, caímos eternamente no quase. Com um exército muito menor e mais despreparado que o de seu oponente, Jon Snow conseguiu chegar às portas de Winterfell sem perder um ÚNICO aliado importante. Tormund? Davos? Não. O mais próximo que chegamos disso foi o próprio Jon quase sufocando entre os corpos de seus soldados caídos, uma farsa óbvia que apenas foi utilizada para reforçar o papo que ele tem com Melindre na noite anterior. Mais uma vez, aplaudo a cena e o trabalho de Kit Harrington, mas dentro da trama da história, isso se torna apenas mais um clichê para a lista.
  5. UM ÚLTIMO ATO DE CRUELDADE: Ramsey não poderia sair de cena sem deixar uma última marca, nem que apenas para relembrar as palavras de Sansa a seu respeito. Aquela flecha no olho do gigante Won-won foi desnecessária? Sim, claro, mas a série perderia o clímax sem que Ramsey mostrasse sua natureza cruel uma última vez.
  6. JUSTIÇA POÉTICA: O episódio fechou com a cena que todos esperávamos, a morte de Ramsey Bolton. Precisava alimentar o cachorros dele com ele próprio? Não, não precisava, mas o público quer a fórmula de justiça poética. A audiência quer o sorrisinho de satisfação de Sansa e aquelas troca de farpas irônica que apenas reforça a fórmula. Pessoalmente, achei pouco. Ramsey SNOW merecia muito mais, especialmente em um episódio que nos mostrou Theon Greyjoy finalmente assumir uma postura mais valente, deixando Reek para trás. Mas este é outro dos clichês inevitáveis da série: Quem se importa com os Greyjoy se os Starks são os heróis que o público pede para vencerem?

Sim, eu sei que muitos vão me xingar pela lista acima, e isso é ótimo. Estamos aqui para discutir, certo? Então, seguindo o raciocínio de que estamos nos rendendo aos clichês, faço algumas previsões (A quem possa interessar, que fique claro: Não, eu não li todos os livros, acabo de terminar o terceiro, então minhas previsões são totalmente calcadas na série):

  • Cersei vai acender o Wildfyre abaixo do Septo bem no horário de seu suporto julgamento, mas acabará cumprindo a própria profecia, sendo responsável pela morte de Tommen, assim como a do High Sparrow.
  • Dany e Yara partirão para Westeros ao final do episódio 10.
  • Davos tentará matar Melisandre e falhará, causando a própria morte.
  • Littlefinger tentará se casar com Sansa Stark como retribuição por salvar Jon durante a Batalha dos Bastardos.
  • Não veremos Varys até a sétima temporada.
  • Também não veremos Arya.
  • Marjorie assumirá o trono antes de encerrar a temporada, e chegaremos à sétima temporada com MULHERES brigando pelo trono, como uma guerra de cinco rainhas: Cersei, Marjorie, Dany, Yara e Sansa.
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