Começo a me preocupar com o destino de Game of Thrones…

NE9Mn2K5dHBmcc_1_b

Eu não acompanho a série desde o início. Em dezembro do ano passado, fui forçada por uma pessoa a sentar e assistir todas as 5 temporadas de uma leva só em apenas 10 dias e, como vocês podem imaginar, eu logo estava completamente fissurada com o universo criado por George Martin. Estou acompanhando a sexta temporada feito uma alucinada. No entanto, começo a encontrar motivos para me preocupar.

Não, eu não estou aqui para discursar que “o livro é melhor”. Meu problema está exclusivamente com o caminho que a série está seguindo e tenho traumas do passado que me levam a ficar bastante apreensiva com os acontecimentos atuais. Essa preocupação é pessoal, entendo que muitos podem achar até bacaninha a direção que temo estar seguindo, mas de qualquer jeito, eis aqui meus pensamentos apreensivos:

MEU PROBLEMA: O que me fez ficar encantada com o universo de Game of Thrones (chamarei assim pois estou falando da série, não dos livros) foi, muito além da ação e dos dragões (sim, sou apaixonada por eles e faço o mesmo barulho quando eles aparecem e quando assisto vídeos de gatinhos fofos),, o fato de que as tramas políticas e os conflitos cuidadosamente trançados por Martin são completamente realistas e facilmente aplicados, dentro da condição metafórica, ao nosso mundo atual. O cenário medieval permite uma violência física mais evidente, como decapitações e duelos, mas conceitualmente a trama se mostra totalmente verossímil, de forma que nem o suposto poder do Rei (seja ele qual for) ou a honra de homens como Ned Stark são capazes de protege-los das estratégias traçadas por aqueles mais cínicos e calculistas, como Tyrion, Varys ou Cersei. Entre tantas mortes de partir o coração, a sobrevivência do mais forte deixa de ser literal e se torna mais intelectual.

É claro que, uma saga montada em um universo de fantasia possui elementos sobrenaturais. Feiticeiras, dragões, Deuses… Tudo isso se encaixa perfeitamente ao cenário. Mas a sexta temporada passou dos limites para mim. No que me diz respeito, Brandon Stark está prestes a arruinar tudo aquilo que eu amo sobre esta série, e o motivo é muito simples: Se seu arco seguir o caminho que está sendo desenvolvido até o momento, a história deixa de ser original e se torna um dos maiores clichês de todos os tempos, o já esgotado “time loop“.

Eu não consigo pensar em um único exemplo de sucesso deste artifício. Sério. Felicity tentou e falhou, Harry Potter usou, Terminator usou e abusou até arruinar a franquia, LOST falhou miseravelmente… E agora Game of Thrones dá todos os indícios de que seguirá pelo mesmo caminho antiquado e sem graça…

O CLICHÊ: Um personagem descobre a habilidade de viajar ao passado. Já temos isso, na pele de Brandon Stark. Se ele estivesse apenas observando, como um Fantasma do Natal Passado, eu entenderia o artifício para elucidar elementos relevantes à história, como o segredo de Lianna Stark. Mas não, eles não pararam por aí. Temos Brandon chamando o nome da visão do pai e Ned reagindo a este chamado. Ou seja – Bran deixa de ser mero espectador.

Então chegamos ao episódio “Door”, na qual a presença de Bran no passado gera uma interação com os White Walker que reflete no presente. Novamente, Bran não é mero espectador do passado. Isso fica ainda mais evidente ao testemunharmos a morte de Hodor, que também se revela a razão de sua obsessão com o termo. Bran, preso ao passado, acaba “estragando”a cabeça do jovem Hodor. Em um tom ainda mais macabro, a cagada do adolescente não apenas causa esse tilt na mente do jovem Hodor, mas o prende ao momento de sua própria morte pelo resto da vida, em um círculo vicioso.

Com isso, podemos presumir que Bran não está alterando o presente ao afetar o passado. Isso sempre esteve lá. Ele sempre esteve destinado a fazer essa viagem, era inevitável, ou Hodor jamais teria se tornado Hodor. É aí que está o clichê, o time loop: Bran sempre participou do passado.

MEU MEDO: Desde o começo, os Starks reforçam sua genealogia que corre até os Primeiros Homens, mencionando “Brandon, the Builter”, o homem que construiu o muro que protege os homens dos White Walkers.

Preciso dizer mais alguma coisa ou já está óbvia a minha irritação? Posso começar a gritar já?

O AGRAVANTE: Minutos depois de terminar de assistir ao episódio “Door”, entrou no meu facebook e descubro uma reportagem que me revela que o diretor deste episódio é Jack Bender. Sabe qual seu trabalho mais proeminente? LOST! A maldita quinta temporada de LOST, na qual toda a história foi completamente destruída com qual elemento narrativo?

Sim, você adivinhou: Time Loop

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s