Precisamos falar sobre Negan

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Sim, faz tempo que não realizo novos posts por aqui mas, depois do Season Finale de The Walking Dead no último domingo, não resisti: Precisamos falar sobre Negan e sobre aquele final que deixou tanta gente indignada no mundo todo.

Vamos deixar claro desde o começo: este post terá spoilers, sim, das HQs e da série, se é que alguém ainda não está à par dessa chegada que prometeu estremecer todas as fundações do universo de Rick Grimes e seus companheiros em Alexandria.

Muito se falou, muito se especulou. Pessoalmente, como fã das HQs, eu aguardei ansiosamente este momento e, ao contrário do que tenho visto por aí, não fiquei decepcionada. Nem um pouco. Deixe-me, então, defender este final de temporada que dá início a um novo momento em The Walking Dead.

A sexta temporada inteira foi repleta de duelos morais referentes às reações violentas de Rick para defender sua família, sangüínea ou adquirida pelo caminho. Desde o primeiro episódio, os moradores de Alexandria vem questionando as decisões dele como líder, partindo de sua reação ao marido de Jesse, Paul, ao final da temporada anterior.

A primeira metade da sexta temporada foi inteiramente focada em refletir as diferenças entre o nosso grupo favorito de sobreviventes e os residentes originais da sociedade utópica coordenada por Deanna. “Vocês não sabem como as coisas funcionam agora” ou “Vocês não estão prontos”e variações lexicais destas afirmações foram usadas excessivamente por Rick, Daryl, Carl, Rosita e companhia dezenas de vezes, a invasão dos Lobos provando o ponto deles de uma vez por todas e coroando Rick oficialmente como o líder supremo da comunidade.

Mas eis que as palavras de Jesus foram proféticas: O universo deles estava prestes a se tornar muito maior. E, neste cenário, o grupo de Rick equivale aos sobreviventes de Hilltop e os Salvadores assim como os residentes de Alexandria representavam para Rick quando ele chegou ali.

Deixe-me explicar: Até chegarem nos muros de Alexandria, Rick e os outros estavam em regiões muito menos populosas, vagando meio sem rumo pelo interior da Georgia. Alexandria, por outro lado, fica próxima à Washington, em uma região metropolitana e muito mais populosa dos Estados Unidos. Até então, o maior grupo com a qual haviam se deparado havia sido Woodbury, e o próprio Governador narra à Andre e Michonne que eles são um grupo de aproximadamente 40 pessoas, uma cidadela completamente isolada do mundo exterior em uma região repleta de fazendas, ao lado da residência original de Herschel. Rick foi extremamente ingênuo se, em algum momento, acreditou que Woodbury e Alexandria seriam as únicas tentativas de sociedade neste universo pós apocalíptico.

A beleza deste season finale está justamente neste ponto – a demonstração do poder de Negan sobre a situação. Ele não estava no meio da estrada, não estava preocupado em matar zumbis para sobreviver. Não, ele se aproveitou da situação, se organizou e, neste ponto em que a história se encontra, ele não é apenas o líder de um grupo de sobreviventes unido pelas circunstâncias, ele é um visionário. Ele é um conquistador. Ele está no controle. E ele não vai brigar de igual para igual. Ao contrário do governador, ele não está ali para vencer Rick na briga, mas para humilha-lo. Ele não precisa incitar medo em todo mundo, apenas no líder e estes 90 minutos mostraram o quão magistralmente ele fez isso, sem precisar de fato se colocar em risco em momento algum.

Não era necessário para o storytelling mostrar a sua vítima. O episódio não foi sobre Negan, mas sobre Rick e como o controle da situação foi lentamente arrancado dele. Suas expressões (Andrew Lincoln arrebentou neste quesito, por sinal) vão se tornando mais desesperadas a cada novo confronto com os Salvadores. Cada encontro foi tirando dele uma parte da esperança que ele vinha criando em Alexandria lentamente desde a morte de Paul. O final misterioso realmente reforça este aspecto da trama. Este é o ponto de desequilíbrio do nosso herói, o momento em que ele se torna vítima das circunstâncias. Pela primeira vez, o vemos tão frágil quanto aqueles que ele se propôs a defender.

Diferente do Governador, que se colocou como um oponente à altura de Rick, Negan é a personificação desta quebra, da derrocada de Rick, que passa a precisar daqueles mais preparados que ele para tentar seguir em frente dentro de um cenário que ele não conhece ainda, que foge de tudo aquilo que ele vem enfrentando desde o momento em que seus olhos se abriram naquela cama de hospital.

Minha conclusão aqui? Parem de reclamar, gente! Tentem aproveitar a história da forma como ela está sendo contada. Não pensem naquilo que não foi entregue, mas nas dezenas de pequenos tesouros que são deixados pelo caminho. SUPEREM!!!! Pelo menos é como EU entendo essa maravilhosa chegada de Negan!

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