Porque eu decidi reassistir todas as temporadas de Fringe

"There is an argument to be made that, beneath every cynic, there's a frustated romantic." - Peter Bishop

“There is an argument to be made that, beneath every cynic, there’s a frustated romantic.”
– Peter Bishop

Fringe já acabou há mais de dois anos, seu episódio final exibido em janeiro de 2013. Hoje, recomecei a assistir a série inteira nos meus boxes de DVD, passando por todos os extras para garantir a experiência completa que, imagino, deve levar algumas semanas para se encerrar. Nessas postagens eventuais que ainda faço aqui, gostaria de compartilhar a razão pela qual decidi revisitar aquela que considero minha série favorita de todos os tempos – me perdoem os fanáticos por Breaking Bad, mas entre os Walters eu fico com o Bishop em primeiro e o White em segundo.

Eu sou apaixonada por sci-fi desde os dias de infância em que acompanhava X-Files com meu pai. Embora seja uma garota completamente de humanas, do tipo que nunca conseguiu uma boa nota nem de matemática – muito menos física ou química – eu sempre tive uma fascinação pela ciência, mas de uma forma poética, não prática. Existe algo de muito poderoso na composição do universo que sempre me deixou encantada. O engraçado é que, embora eu não consiga somar ou multiplicar direito até hoje, eu acompanho a lógica do raciocínio científico e meu cérebro traduz para sua própria linguagem, em verso e prosa.

Fringe me encantou por ser uma das séries mais embasadas cientificamente (sim, eu sei que tudo ali é impossível, mas os roteiristas tomaram cuidado o bastante para conseguir desenvolver a lógica de como tornar aqueles absurdos possíveis)  e, ainda assim, possui um dos roteiros mais humanos que eu já encontrei dentro do gênero.

É uma coleção de 100 episódios sobre o amor.

É uma série totalmente científica com algumas das cenas mais grotescas já exibidas no horário nobre e, ainda assim, é inteiramente sobre amor. Em diversos momentos, como é comum quando acompanhamos e nos envolvemos com uma história, eu me envolvi com os sentimentos desses personagens. O isolamento de Olívia Duhnam diante de outras pessoas, a empatia de Astrid Farnsworth que a capacita para lidar com um homem doente como Walter, a raiva de Peter Bishop por ter sua vida inteira afetada pelos erros do pai, os desafios morais de Phillip Broyles ao se colocar entre sua missão profissional e suas relações pessoais, a devoção de Nina Sharp ao homem que arruinou e salvou sua vida tantas vezes, as escolhas de Setembro diante de todo o conhecimento adquirido… Mas, acima de tudo, Walter Bishop.

Walter Bishop é a razão pela qual eu decidi reassistir todas as temporadas de Fringe neste momento da minha vida.

Durante todo o decorrer da série, conhecemos 19 versões diferentes deste mesmo personagem, cada uma delas demonstrando diferentes possibilidades e diferentes vertentes e consequências de um único momento em sua vida, uma única escolha que alterou a história do mundo. E cada uma delas me resgata sentimentos distintos. John Noble conseguiu trazer mais do que vida ao personagem, ele trouxe humanidade a um monstro que, no fim das contas, não se arrepende do erro cometido no princípio. E é impossível não compreender essa tristeza intrínseca em todas as versões dele.

Eu estou reassistindo Fringe por causa da Tulipa Branca. Este é o meu momento pessoal da tulipa branca, da busca impossível por ela. Este é o momento em que eu busco a capacidade de perdoar a mim mesma, não pelos meus erros que, embora em menor escala de impacto universal, foram numerosos, mas pela certeza de que, se me fosse dada a escolha, eu os cometeria novamente, independente de suas consequências eventuais.

Esta é a poesia de Walter Bishop – ele é todos nós em diferentes momentos, de diferentes formas, mas com o mesmo coração pulsante. Não importa que ele tenha a mente mais brilhante da história, ou que tenha sido o primeiro a utilizá-la sem restrições morais. Quando chegamos ao fim de tudo, ele é apenas um ser humanos comum: falho, emocional e ferido.

Para aqueles que acompanharam a série, recomendo essa revisita. Ainda estou começando a primeira temporada mas, pelo que percebo até agora, descobri coisas que não estavam lá da primeira vez, já que eu não sabia o que procurar.

Para aqueles apaixonados por ficção científica, recomendo se aventurar neste universo tão bem construído e tão bem desenvolvido. Sim, são 100 episódios e leva um bom tempo para terminar, mas eu realmente duvido que algum de vocês vai se arrepender.

Para aqueles que não são fãs do gênero, recomendo a tentativa. Como eu disse no princípio: A série, na realidade, é sobre amor e, com isso, qualquer um de nós consegue se relacionar.

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2 thoughts on “Porque eu decidi reassistir todas as temporadas de Fringe

  1. Pingback: 6 episódios que farão você se apaixonar por Fringe | Junkies de Conteúdo

  2. Eu amo Fringe, ainda não assisti tudo, estou na quinta temporada agora, depois uma longa pausa na série por conta da correria, mas assim, semana passada assisti a 4ª temporada e foi muito bom!Já tá batendo saudade antes de chegar no último capítulo.

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