Oscar 2015 – por Eduardo Marsola

neil-patrick-harris-nph-underwear-oscars-2015-billboard-650Seguindo a tradição iniciada no ano passado, os Oscars deste ano foram comentados pelo meu querido amigo e um dos maiores cinéfilos que conheço. Veja aqui abaixo as impressões de Edu Marsola e conte pra gente: Você concorda? Tinha outro favorito? Comemorou alguma vitória? Eu, por exemplo, fiquei muito feliz com o prêmio de roteiro Adaptado para The Imitation Game…. Vamos lá! Edu, o palco é todo seu…

Comentários – Finalistas

  • Boyhood: Da Infância à Juventude: o projeto mais ambicioso e bem-sucedido do ano (ou dos últimos doze anos…), feito com amor, suor e honestidade.
  • Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância): o diretor Iñarritu se submete ao papel de bobo da corte para finalmente ser aceito pelo “rei”, em busca da tão sonhada nobreza hollywoodiana. Parece sátira, mas é autocomiseração. Parece subversivo, mas é ególatra. Parece autocrítica, mas é autocongratulação. Personagens arquétipos, previsíveis na sua imprevisibilidade, bidimensionais. Não se deixem enganar: o filme é uma grande farsa (se quiserem ver um retrato honesto e tragicômico do status quo da indústria artística americana, sugiro “Maps to the Stars”, do Cronenberg, esse sim é louco de verdade, por isso ignorado pela academia).
  • Sniper Americano: um legítimo espécime republicano de Mr. Eastwood, tecnicamente impecável, politicamente dispensável.
  • O Grande Hotel Budapeste: uma belezinha! É bom ver filmes como esse entre os finalistas. Mas não é meu Wes Anderson favorito.
  • O Jogo da Imitação: um filme quase; faltou alguma coisa, talvez um pouco mais de luz…
  • A Teoria de Tudo: típica fita britânica, não adianta criticar seu tom respeitoso e um tanto hagiográfico, o “cinema inglês de premiações” é assim (vide “O Discurso do Rei”); e funciona como ode ao gênio.
  • Selma: como filme-documento é importante pelo fato histórico que o envolve, porém, como obra artística, não apresenta novidades; mais uma ode politicamente correta.
  • Whiplash: Em Busca da Perfeição: uma grata surpresa, um filme enxuto, direto, dramático sem ser melodramático, com uma trilha sonora tão legal quanto dolorosa. Merecida indicação!

BALANÇO DA CERIMÔNIA

Cerimônia melhor que a de anos anteriores, mas o apresentador NP Harris deixou a desejar. A Academia erra ao não chamar nomes de maior calibre para esta função.

O problema do apresentador se estende ao roteiro do show, com piadas internas que o resto do mundo não entende e outras apenas sem graça. Poucos esquetes se salvaram.

Ainda lamento que os prêmios honorários por vida e carreira continuem relegados a um evento a parte, pois sempre geraram momentos marcantes.

Gostei das vinhetas dos prêmios, e principalmente de voltarem a mostrar trechos da atuação de cada indicado a ator/atriz antes de anunciar o vencedor. Tinham tirado isso em nome do tempo, ótimo que voltaram a fazer.

Gostei do discurso da presidente da Academia, ela falou sobre liberdade de expressão, um tema em pauta no mundo e que afetou Hollywood com o caso do filme “A Entrevista”. Eu gosto dessa moça, good vibrations.

Até pela postura da dirigente hollywoodiana, foi a noite da diversidade: latinos, europeus do leste, negros, gays, e claro, a “elite branca” de sempre: todos tiveram voz e imagem, algo muito importante para o momento.

Excelentes números musicais: incrível a participação de Lady Gaga cantando um medley de “A Noviça Rebelde”, depois recebendo no palco a própria Julie Andrews, um dos pontos altos da noite.

A produção, direção de arte e cenografia estavam impecáveis e criativas, no melhor trabalho de palco dos últimos anos.

Outro ponto positivo da noite refere-se aos ótimos speechs de vários ganhadores, entre emocionantes, divertidos e politizados.

AS PREMIAÇÕES

Filme: Birdman
Não gostei: Tava na cara, Iñarritu colocou os dois pés no mainstream com um filme Denorex (parece, mas não é).

Diretor: Alejandro G. Iñarritu (Birdman)
Não gostei: Nada contra o cara, que é talentoso e já tem ótima filmografia, mas era a vez do Linklater e sua paixão. O ponto positivo foi ver dois diretores mexicanos ganharem o Oscar consecutivamente, isso é inédito e revelador.

Ator: Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
Gostei: Surpresa! Michael Keaton deve ter quebrado um quarto de hotel para aliviar o ego ferido, pois estava com a faca e o queijo na mão; mas a Academia adora limitações físicas.

Atriz: Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Gostei: Que mais dizer da diva? Ainda acho que merecia ganhar também pelo injustiçado “Mapas para as Estrelas”.

Ator Coadjuvante: J.K. Simmons (Whiplash)
Gostei: Apesar do grande Robert Duvall, o trabalho de Simmons foi visceral. Mereceu.

Atriz Coadjuvante: Patricia Arquette (Boyhood)
Gostei: Imbatível pelo desprendimento, pela naturalidade, pelo compromisso e pelo talento; além disso nos presenteou com um discurso forte e corajoso.

Roteiro Original: Birdman
Não gostei: Havia pelo menos outros dois concorrentes que têm minha preferência, com destaque para “O Abutre”, jogado à escanteio com essa única indicação.

Roteiro Adaptado: O Jogo da Imitação
Gostei: Depois do speech comovente do jovem roteirista, aplausos para o prêmio!

OUTROS DESTAQUES

“O Grande Hotel Budapeste” saiu-se um dos grandes vencedores da noite, papando Figurino, Maquiagem & Cabelo, Trilha Sonora (surpresa) e Design de Produção (que antes era chamado de Direção de Arte). Tudo merecido. E agora, Wes Anderson, o que vem por aí?

“Whiplash” também foi muito bem, levando, além de Simmons como Coadjuvante, Mixagem de Som e Montagem (onde não era favorito). Parabéns!

“Interestelar” surpreendeu ganhando Efeitos Visuais, prêmio que eu daria a “Planeta dos Macacos: O Confronto”, porque aquela macacada foi a criação visual mais impressionante do ano.

A Disney também ficou com sua fatia do bolo, abocanhando dois prêmios de Animação, curta e longa (“Operação Big Hero”). Sem novidades.

O diretor polonês do vencedor de Filme Estrangeiro (por “Ida”) foi o autor do speech da noite, divertindo e cativando a plateia; e seu filme é uma belezura mesmo, lindamente fotografado e encenado. Gostei muito!

No mais, “Selma” mereceu seu Oscar de Canção Original, assim como “Sniper Americano” por edição de som.

“Birdman” levou Fotografia, e não há como negar a proeza técnica do trabalho.

Em Documentário longa, o candidato que envolvia o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado deixou escapar, e quem levou foi uma produção americana sobre o caso Edward Snowden (“Citizenfour”). Escolha elementar, num ano de temas político-sociais.

OS ESQUECIDOS DO ANO:

  • Julianne Moore, apesar de merecer o prêmio, deveria ter sido indicada por seu papel em “Mapas para as Estrelas”, do Cronenberg, o maior injustiçado do ano!
  • Jake Gyllenhaal esquecido para melhor ator por “O Abutre”, outro lembrado apenas para roteiro original.
  • Jennifer Aniston, por ter feito uma mulher maltratada a mal arrumada, apostava que seria lembrada, mas perdeu a vaga para Marion Cotillard.
  • Não foi desta vez que Angelina Jolie emplacou como diretora: seu “Invencível” também ficou de fora.
  • A ficção “Sob a Pele” deveria figurar pelo menos entre os melhores roteiros adaptados, mas foi solenemente ignorada, assim como a atrizJessica Chastain por “O Ano Mais Violento”.
  • “Grandes Olhos”, do Tim Burton, também sumiu, junto com Amy Adams e Christoph Waltz.
  • “Garota Exemplar”, a nova farsa de David Fincher, ficou merecidamente de fora.
  • A animação “Uma Aventura Lego” foi outro que quebrou a cara.
  • “Selma” conseguiu uma vaga entre os finalistas, mas a atuação de David Oyelowo como Luther King não teve o mesmo reconhecimento.
  • “Interestelar” esperava mais indicações, mas não decolou.
  • Por fim, “Noé”, que é a maior bomba do ano, foi completamente esquecido (graças a Deus… prova de que nem tudo está perdido na Academia).

Até o ano que vem, na torcida por filmes melhores para todos.

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