Já pode começar a chorar?

how-I-met-your-mother-season-6-posterApós seu encerramento, 10 anos atrás, Friends deixou uma legião de fãs órfãos e desesperados já chegando à meia idade. A nossa geração, que hoje circula o grande 3.0 pegou o final daquela febre e todas as maratonas de reprises na TV à cabo durante alguns anos, até que a CBS fez o improvável ao apostar na história de Ted Mosby e o aparentemente inacabável conto que se tornou How I Met Your Mother. Hoje, após 9 anos no ar, a série chega ao fim culminando na promessa do título: Ted finalmente conhecerá a mulher de sua vida e deixará uma nova legião de jovens adultos órfãos de séries que falam com eles da maneira mais deliciosa possível. Eu estão no meio desta legião.

Assisto a série e encontro pequenas características de cada história e cada amigo meu na dinâmica destes 5 amigos, especialmente de mim mesma. Aposto que cada um de vocês também. Viramos gente grande junto à Ted, Marshall, Lilly, Barney e Robin. Com Friends, a sensação era aspiracional: Eu queria ser como eles quando crescesse. Agora é diferente: Eu SOU cada um deles de pequenas maneiras todos os dias.

Quantos de nós não passaram por encontros absurdos, relacionamentos doídos ou até mesmo traições das pessoas em que mais confiávamos no mundo? Quem nunca se apaixonou pela pessoa errada? Quem nunca acidentalmente espetou uma espada no peito da namorada? Não, péra… Claro que a série leva essas situação a níveis impossíveis, sabemos disso, mas é o sentimento por trás do absurdo que realmente conta, não é? Nenhum de nós acordou com um abacaxi ao lado da cama sem nunca descobrir como ele foi parar ali, mas dormir com a pessoa errada e acordar em uma situação estranha é a coisa mais comum do mundo quando se tem 20 e muitos/30 e poucos e se está solteiro…

Quem não tem amigos assim, formando uma pequena família desajustada com a capacidade de se perdoar? Tenho um amigo que se encaixa perfeitamente em cada personagem e sei exatamente qual deles melhor me representa. How I Met Your Mother foi o Friends da nossa geração e, honestamente, pra mim sempre foi mais identificável com a minha própria vida. A série foi tão forte que a maioria das pessoas esquece que o Barney, na realidade, é gay, e casado com Scooter – o primeiro namorado de Lilly. Ou que a própria Lilly é, na realidade, casada com Sandy Rivers, aquele repórter babaca que quase roubou a Robin do Ted na primeira temporada. Todas essas idas e vindas só servem para reforçar o aspecto familiar que a série nos transmitiu esses anos todos.

Hoje essa saga chega ao fim mas, na realidade, é apenas o começo da aventura de Ted. Tudo aquilo vivido por Marshall, Lilly, Barney e Robin nestes anos todos começa para Ted neste momento e foi tudo tão mágico que, mesmo 20 anos depois, ele ainda não é capaz de contar a história aos filhos sem lembrar cada pequeno detalhe. A história apenas acaba aqui pois a jornada que vem à seguir não é mais a mesma. Ele não está contando às crianças sobre a mãe em si, mas sobre tudo aquilo que o transforma no homem que ele precisa ser para encontrá-la no momento certo. Esta é uma história sobre seu amadurecimento e as pessoas que o empurraram até ali e agora, ao encontrá-la, ele não precisa mais disso.

Como eu quero que a série acabe? Bem, a última cena – pra mim – tem que ser com todos eles velhinhos sentados na varanda, mas essa metáfora faz parte da vida de Ted antes da mãe. Com a chegada dela, o teste da varanda já não significa mais nada…

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s