Review: The Walking Dead 4×12 – “Still”

The Walking Dead 4x12Entre desfiles de escolas de samba e a premiação do Oscar, mais um episódio incrível de The Walking Dead foi ao ar no último domingo e, para alívio de alguns fãs que ficaram histéricos com o trailer morrendo de medo de Daryl encontrar seu fim, “Still” foi exatamente o que seu título prometeu: Um momento de calma para dois personagens que estavam perdidos em mais de uma única maneira.

O episódio do Carnaval soube dosar com maestria as cenas de ação com os momentos de humanidade latente enquanto trabalham com delicadeza a relação entre Daryl e Beth. Muitos já estão se perguntando quando os dois virarão um casal mas, honestamente, se a coisa não rolou com os dois bêbados, não tem por que rolar depois. A dinâmica criada entre os dois nessa aventura tola em que se colocam durante o episódio é quase fraternal.

Em um acesso pós adolescente típico, Beth se vê cansada da postura soturna e derrotista do companheiro e decide sair em busca de uma garrafa de álcool simplesmente por que nunca atreveu-se a beber em razão do alcoolismo do pai. Um daqueles momentos “Eu quero por que sim” que toda menina de 18 anos tem de vez em quando. Contra a própria vontade, Daryl se coloca na posição de acompanhá-la simplesmente para protegê-la. Depois de vários encontros com zumbis em um daqueles clubes de golfe americanos, tudo que ela encontra é uma garrafa de Schnapps de pêssego e Daryl, como um bom bebedor, se impõe contra o consumo daquela porcaria e a leva para uma casa que ele e Michonne descobriram em suas idas e vindas cujo galpão dos fundos está repleto de bebidas caseiras, daquelas que destroem o fígado no primeiro gole.

Enquanto Beth insiste em jogar “Eu Nunca”, Daryl conta um pouco de sua infância, dando a entender que sua vida antes do apocalipse não valia muita coisa e, com uma sugestão da menina de que ele fosse um criminoso de pequeno porte, ele simplesmente surta. Não é a ofensa dela que o faz surtar, mas o seu lugar nesse mundo, a realização de que ele é uma pessoa melhor agora do que ele fora quando as oportunidades se apresentavam no chamado “mundo real”.

O que realmente se tira destes 42 minutos de interação entre duas pessoas completamente opostas é a importância das relações criadas entre os sobreviventes no tempo que passaram juntos. Daryl, que sempre fora apenas a sombra inferior de um irmão bêbado, drogado e criminoso, e a própria Beth, caçula super protegida de uma família bem estruturada e educada, percebem que não são diferentes um do outro dentro do universo que construíram após o fim do mundo.

Vale destacar a cena em que ela o enfrenta no meio de seu surto psicótico, confrontando-o sobre suas emoções, mostrando a ele que ao permitir-se entrar em contato com elas foi o que o tornou mais preparado para sobreviver, culminando em um abraço tão terno que elimina qualquer tensão sexual que vinha sendo construída até aquele momento.

A queima da casa é uma atitude estratégica bem estúpida, provavelmente atraindo a atenção de todos os zumbis (e seres humanos) ao redor, mas o ato de rebeldia que compartilham ali é o ápice desta união: Beth deixa para trás a menina mimada e protegida com um ato de rebeldia sem causa e Daryl destrói tudo que o passado significa para si, abrindo mão de vez do que Merle representava para ele: uma perspectiva de futuro destrutivo e insignificante. 

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