Prévia do Oscar (por Eduardo Marsola)

Para falar em Oscar, trouxemos um Expert em cinema, o Eduardo Marsola, com suas previsões e opiniões – com certeza – mais embasadas e inteligentes do que qualquer José Wilker ou Rubens Ewald Filho e nem precisa daquela irritante tradução simultânea… Confiram!

The-Oscars-2014-Data

PRÉVIA DO OSCAR – Minhas Impressões

Comentando os Finalistas a Melhor Filme:

– O LOBO DE WALL STREET (The Wolf of Wall Street): 

Scorsese jogando merda no ventilador aos 71 anos. Mestre! Mestre! Ele desconstrói o mito do american way of life com muito cinismo, sarcasmo e doses cavalares de náusea. Poderia ficar horas escrevendo sobre as qualidades, acertos e ousadias do projeto. O tom é farsesco, mas a mensagem implícita é verdadeira. O velho mestre conta uma história dos anos 80 e a faz parecer de vanguarda. Todos os adjetivos são pouco para atestar a genialidade de Martin Scorsese, o maior cineasta americano vivo.

– PHILOMENA (Philomena):
Stephen Frears já esteve (muito) mais inspirado; Judi Dench também (sua atuação fica o tempo todo no piloto automático). Filme esquecível, por isso uma indicação absurda.

– CAPITÃO PHILLIPS (Captain Phillips):
Simplesmente o melhor thriller do ano e um dos melhores da década! Um filme franco, sem firulas dramáticas, que respeita a veracidade dos personagens com um roteiro exemplar.

– ELA (Her):
Um típico Spike Jonze, não chega a ser uma distopia, mas tem um bom argumento, apesar de cair na vala comum das produções romântico-redentoras em seu último terço.

– CLUBE DE COMPRAS DALLAS (Dallas Buyers Club):
Um filme menor, mas com atuações maiores da dupla central de atores. Apesar de algumas escolhas erradas do diretor, o protagonista e seu coadjuvante dão um show de interpretação.

– NEBRASKA (Nebraska):
Excelente drama familiar, jamais cai na pieguice e é belissimamente fotografado. Personagens muito interessantes num retrato duramente realista das (des)estruturas familiares da América.

– GRAVIDADE (Gravity):
Vida inteligente no espaço! Cuarón fez mágica com ação e reflexão de tirar o fôlego. Acertou em tudo: roteiro enxuto, boa história, cenas lindamente orquestradas, sem contar a revolução técnica, que faz a câmera trabalhar (literalmente) sem gravidade.
Veio pra ficar.

– TRAPAÇA (American Hustle):
Muito marketing e uma boa embalagem. Na verdade, o filme só vale pelas atrizes. É o típico caso em que se assiste pensando: “hum, já vi isso antes”, e o pior é que essa sensação se repete várias vezes ao longo do roteiro, que conta com uma trama rocambolesca e aborrecida.

– 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (12 Years a Slave):
O contexto histórico é digno de prêmios, mas o filme (esquemático) não. É favorito pela nobreza do tema, porque reflete um anseio social do país, que necessita, de certo modo, corrigir seus erros do passado, estes que ainda assombram a sociedade atual. Como filme, 12 Anos de Escravidão peca pelo excesso de academicismo e maneirismos dramáticos.

PALPITES:

 ·        MELHOR FILME

– Quem vai ganhar: 12 Anos de Escravidão
– Quem merece ganhar: O Lobo de Wall Street ou Gravidade

·        MELHOR DIRETOR

– Quem vai ganhar: Alfonso Cuarón (Gravidade)
– Quem merece ganhar:  Alfonso Cuarón (Gravidade) ou Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)

·        MELHOR ATOR
– Quem vai ganhar: Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)
– Quem merece ganhar: Matthew McConaughey ou Leonardo di Caprio (O Lobo de Wall Street)

·        MELHOR ATRIZ
– Quem vai ganhar:
 Cate Blanchett (Blue Jasmine)
– Quem merece ganhar: Cate Blanchett

·        MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Quem vai ganhar:
 Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
– Quem merece ganhar: Jared Leto ou Barkhad Abdi (Capitão Phillips)

·        MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Quem vai ganhar:
 Jennifer Lawrence (Trapaça) ou Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
– Quem merece ganhar: Jennifer Lawrence

·        MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– Quem vai ganhar:
 Trapaça
– Quem merece ganhar: Nebraska

·        MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– Quem vai ganhar:
 12 Anos de Escravidão
– Quem merece ganhar: O Lobo de Wall Street

·        MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Comentando dois dos finalistas, que são melhores que a maioria
dos indicados a Melhor Filme americano
:

– A GRANDE BELEZA (La Grande Bellezza – Itália):
Este filme contém algumas das mais belas imagens do ano, tomadas inspiradíssimas e personagens fellinianos. Para quem gosta do cinema italiano clássico, é um grande déjà vu, porém sem deixar de ser contemporâneo. Paolo Sorrentino não é nenhum Fellini,
mas fez uma espécie de “Dolce Vita” dos novos tempos. É sem dúvida um dos melhores textos do cinema em 2013. Delícia!

– ALABAMA MONROE (The Broken Circle Breakdown – Bélgica):
Surpreendente! Até mesmo algumas escolhas duvidosas do diretor (desconhecido) emprestam curiosidade à história. Criou-se um microcosmo do empoeirado sul dos EUA em pleno (e pouco notório) interior da Bélgica. A metáfora que se faz da América política por meio das ilusões e fraquezas na vida comum de “caipiras europeus” é muito inteligente e mesmo reflexiva, até pela estranheza que causa. Destaque para trilha sonora, roteiro adaptado, figurino, fotografia, elenco e, é claro, a melhor surpresa do filme: a atriz Veerle Baetens, que compõe uma personagem fascinante, enigmática e imprevisível. Impossível ficar indiferente.
– Quem vai ganhar: A Grande Beleza ou A Caça (Jagten – Dinamarca)
– Quem merece ganhar: A Grande Beleza ou Alabama Monroe


Alguns injustiçados do ano pela Academia (mereciam ser indicados e não foram):

 ·        Filmes:

Rush – No Limite da Emoção e Blue Jasmine

·        Diretores:
Ron Howard (Rush – No Limite da Emoção) e Paul Greengrass (Capitão Phillips)

·        Ator:
Tom Hanks (Capitão Phillips) – é o melhor trabalho de Hanks desde Náufrago (2000), ou seja,
não poderia ter ficado de fora da disputa final.

·        OBS.:
O prêmio de Melhor Ator com certeza seria do veterano Michael Douglas, se o filme
“Minha Vida com Liberace” (Behind the Candelabra) não fosse uma produção feita só
para a TV americana (por isso proibida de participar do Oscar). Douglas fez o melhor
trabalho do ano e o melhor de toda sua carreira, numa atuação simplesmente perfeita,
corajosa e espetacular!

·        Atriz:
Greta Gerwig (Frances Ha) e Veerle Baetens (Alabama Monroe)

·        Ator Coadjuvante:
Daniel Brühl (Rush – No Limite da Emoção)

·        Roteiro Original:
Frances Ha

IMPORTANTE:

O Oscar não serve como sistema de aferição do valor cinematográfico de um filme, o grande objetivo é a premiação dos títulos que ajudam a consolidar a indústria, por meio do upgrade comercial que recebem diante de uma indicação, e mais ainda diante da conquista da já lendária estatueta. Enfim, é uma festa deles para eles e por eles, e que nada tem a ver com justiça artística. Isso se manifesta na mudança de regra que permite esse número elevado de obras finalistas a Melhor Filme, desnecessário e com títulos que não fazem jus à indicação. O que faz pessoas como eu se ligarem nessa festa é a possibilidade de haver coincidências entre valor comercial e valor artístico.

Texto por: Eduardo Marsola

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