XOXO, Gossip Girl

Sim, eu sei que a série já terminou mas eu só parei para assistir agora e, depois de 6 temporadas inteiras, preciso dar a minha opinião, já que… Bem, isso é o que eu faço! Como eu sou a atrasada aqui, não vou me preocupar com spoilers, okay?

Gossip Girl é maliciosamente delicioso de assistir. Não é lá muito inteligente ou complicada, não exige muita atenção para acompanhar a história que, em muitos momentos, não faz o menor sentido, mas a produção glamourosa, as roupas, os cenários e a ostentação sem limites são absolutamente fascinantes. O roteiro em si é praticamente o mesmo durante todas as temporadas, embora haja, sim, uma história maior sendo contada, mas é tanta maldade e traição que eu sentia assistindo à monarquia européia em algum filme de época. Correndo o risco de ser massacrada aqui, Gossip Girl é comparável à Ligações Perigosas: Um monte de gente linda milionária e entediada que utiliza pequenas guerras de poder para destruir a vida dos outros para seu próprio entretenimento. Segundas Intenções com Leighton Meester no papel de Sarah Michelle Gellar e Ed Westwick no papel de Ryan Phillippe.

As primeiras temporadas são mais cansativas, pois focam muito no personagem de Serena, a única entre todos os protagonistas que parece não evoluir nada nos 6 anos de história contada. De princípio ao fim, sua jornada é uma sucessão de relacionamentos falhos, péssimas escolhas, dramas desnecessários, escândalos sexuais e crises histéricas de egoísmo tudo isso recompensado com tudo que ela deseja em bandejas de prata. A personagem é sonsa, obcecada consigo mesma e incapaz de amadurecer.

Também tenho uma birra com a Vanessa e celebrei muito sua partida ao final da quarta temporada. Aquela postura moralista de boa moça me cansa, assim como sua mania de se intrometer nos assuntos alheios com seu dedo em riste pronto para julgar a todos. Acho incrivelmente cômico como ela tenta ser tão cruel quanto Blair e Serena e sempre acaba quebrando a cara pelo simples fato de ser moralista demais para manter seus planos até o final.

Gostava da pequena Jenny Humpfrey quando ela tentava roubar o trono de Blair mas, aos poucos, o personagem foi se tornando mais e mais insignificantes na trama até sair de vez. O mais irritante é como, de repente, sua personagem foi deixando de ser patricinha e se torna uma gótica total. Sei que a atriz começou sua própria banda de rock, mas a personagem precisava ficar com aquela cara de junkie mal lavada? Tira completamente qualquer credibilidade quando a personagem chora desesperada após perder a virgindade para o Chuck Bass por que ela já estava com cara de vagabunda há uns dois anos…

O Nate é um chato e, convenhamos, qualquer que seja o masculino de “piriguete”, o Nate certamente se encaixa. Tem alguma personagem feminina que tenha passado pela série sem fazer um pit stop na cama dele? Depois de 5 anos sem nenhuma real relevância para a série, Nate chega ao final como um pequeno magnata fraudulento, igualzinho ao pai, e é o mais próximo dentre todos eles de descobrir a real identidade de Gossip Girl. Só isso. A importância dele acaba aí.

Lilly e Rufus são os dois piores pais do mundo. Ela, totalmente negligente e pronta para cometer qualquer crime de colarinho branco para manter seu status social. Ele, cheio de falso moralismo, pronto pra julgar e condenar os próprios filhos por seus erros, nada mais é do que um marido troféu, tanto para Lilly quanto para Ivy em seu curto relacionamento na temporada final. Pra quem adora crucificar Dan e Jenny por suas ambições sociais, ele não parece ter nenhum problema em ser sustentado por mulheres abastadas… Dois chatos! Bart Bass podia ser um pai horrível e psicótico com tendências homicidas mas, pelo menos, seu personagem era mais interessante…

Temos também Georgina Sparks que, apesar de ser uma louca desvairada, é um alívio cômico sem igual. Sua completa falta de valores morais a torna a psicopata perfeita para balançar o frágil equilíbrio deste grupo de pessoas sempre que sua vida fica um pouco mais sem graça. Sou completamente louca pela versão fanática religiosa da Georgina. Sensacional!

A Blair é, de longe, a melhor personagem feminina da série. Além de linda e completamente egocêntrica, é a mais inteligente e tem os melhores diálogos. Sou completamente apaixonada pela relação dela com a Dorota e com o Cyrus e fico fascinada com a lenta evolução da personagem que, aos poucos, percebe que pode canalizar seus instintos mais maldosos para conquistar ao invés de destruir. Gosto muito da relação dela com Dan na quinta temporada mas, é claro, toda a sua história de encontros e desencontros com Chuck Bass é absolutamente hipnotizante. Além da química entre os atores, que leva àquela cena de sexo em cima do piano de tirar o fôlego (e que coloca o ménage à trois universitário no chinelo) e muitos diálogos silenciosos trocados com olhares, o diálogo rápido dos dois rouba a cena e acaba transformando-os nos reais protagonistas da história.

Chuck Bass é um personagem excepcional. De adolescente revoltado e mimado à filho rejeitado à magnata à centro moral da série, a evolução do personagem é magistral. Enquanto todos os outros sofrem paixões que duram meia hora, Chuck se mantém sempre estável em seu sentimento, mesmo compreendendo que não está pronto para agir sobre ele. A devassidão natural do personagem é tão intrínseca ao que ele representa que jamais incomoda. Ele é o Gatsby de sua geração. Sou especialmente apaixonada pelo diálogo dele com Dan após o lançamento do livro “Inside” sobre o fato que de que jamais morreria de asfixia erótica com um cinto, mas um cachecol Chartreuse, que é mais macio. Espetacular!

Por último, mas não menos importante, temos Dan Humpfrey, também conhecido como Gossip Girl. Muita gente ficou surpresa. Eu não. No meio da última temporada, me pareceu lógico: Ele escreveu um livro inteiro sobre essas pessoas, depois começou a expor todos os seus segredos na Vanity Fair. O que poderia ser mais lógico do que um escritor criando um personagem como Gossip Girl? Reassistindo a série, provavelmente isso não fará sentido o tempo todo, mas achei uma ótima solução, bastante lógica dentro do universo criado. Dan passa o tempo todo tentando provar que ele não se importa com o mundo milionário enquanto tenta ganhar a atenção de cada uma dessas pessoas, provando que pertencer é a coisa mais importante do mundo para ele. E ele conseguiu: criando o blog, ele se tornou relevante, se inseriu no universo deles e foi completamente aceito.

Não me interessei em ler os livros, mas adorei assistir a série até o final. Não entrou pra minha lista de favoritas mas, com certeza, conquistou seu lugarzinho como uma ótima opção para um final de semana em casa comendo pipoca debaixo do cobertor. Fácil de acompanhar e visualmente estonteante, é um prato cheio para quem gosta de moda, de música Indie e pessoas bonitas tentando destruir outras pessoas bonitas das maneiras mais inusitadas possíveis!

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