O escritor brasileiro – uma breve análise e um parabéns sem graça

Depois de uma semana horrível, as últimas três noites foram fantásticas e especialmente intensas. Deliciosa e exaustiva. Por culpa disso e disto, vocês não encontraram nada por aqui ontem. Por conta disso, tivemos este um dia de atraso na publicação desta coluna. E, por conta disso tudo, não faço ideia do que escrever aqui. Sei que tenho que falar de literatura, mas não sei exatamente o que. Então, vamos lá.

mario

Hoje, dia 25 de Julho, é o Dia Nacional do Escritor. Data criada na década de 60 a partir do I Festival Nacional do Escritor, organizado pela UBE (União Brasileira dos Escritores), à época presidida pelo Peregrino Júnior, imortal da Academia Brasileira de Letras, e tendo Jorge Amado como vice-presidente.

Isso é tudo que se acha sobre a data. Criada na década de 60? Em que ano exatamente, ninguém sabe. Sabe-se que foi uma homenagem após o I Festival Nacional do Escritor. Mas o que aconteceu neste tal Festival que motivou a criação da data? Tudo muito vago. Talvez por isto as editoras ainda não explorem esta data como deveriam. Poderíamos ter lançamentos de livros de novos escritores nacionais, lançamentos em massa de vários títulos de autores veteranos e novos, palestras com escritores consagrados, ofertas interessantes em livrarias para títulos de autores de língua portuguesa, ou qualquer outro evento focando na venda de autores nacionais. Mas não temos nada, senão mensagens de parabéns aqui e ali. E de parabéns em parabéns, os autores nacionais de ficção continuam sendo lidos pelos brasileiros muito menos do que os estrangeiros. Todos sabem. No mercado editorial inteiro, assim como toda lista de mais vendidos explicita:

– De acordo com o ranking da última semana da Revista Veja, entre os 20 autores de ficção mais vendidos, apenas a mineira Paula Pimenta com seu livro infanto-juvenil “Minha Vida Fora de Série – 2ª Temporada” aparece, na 8ª posição.

– No ranking da última semana do Publish News, a lista de ficção e a lista de autores infanto-juvenis são separadas. E a coisa fica ainda mais feia. Entre os 20 autores mais vendidos de ficção, nada de autor nacional. Na lista dos autores infanto-juvenis, apenas Paula Pimenta, este fenômeno, aparece na lista: em 3º com o “Minha Vida Fora de Série – 2ª Temporada” e em 15º com o “Minha Vida Fora de Série – 1ª Temporada”.

– Em 2013, até esta semana, “Toda Poesia” de Paulo Leminski vendeu 32.116 exemplares, o que lhe dá a 13º posição no ranking de ficção do Publish News. 32.116 exemplares entre os vinte mais vendidos para um único autor nacional de ficção. Somando o total de exemplares de ficção vendidos pelos autores estrangeiros da lista, temos o total de 1.187.903 títulos vendidos. Resumindo: através exclusivamente de Paulo Leminski, o total de títulos de ficção vendidos de algum autor nacional representa pouco mais de 2,63% do total na lista dos 20 livros mais vendidos.

– Se somarmos os resultados dos livros Infanto-Juvenis, Paula Pimenta é a única autora nacional a aparecer na lista dos 20 mais vendidos em 2013 até esta semana de Julho. E aparece com dois títulos: “Minha Vida Fora de Série – 2ª Temporada”, em 13º, com a venda de 13.655 exemplares, e “Fazendo meu filme – A estreia de Fani”, em 18º, com a venda de 6.862 exemplares. Somando o total de exemplares infanto-juvenis vendidos pelos autores estrangeiros da lista, temos o total de 369.494 títulos vendidos. Através exclusivamente de Paula Pimenta, o total de títulos infanto-juvenis vendidos de algum autor nacional representa pouco mais de 5.26% do total na lista dos 20 livros mais vendidos.

– Para finalizar 2013, o número total real dos títulos vendidos para autores brasileiros de ficção, incluindo aí claro os títulos infanto-juvenis, é o total de 52.633, o que representa pouco mais de 3,27% do total (são 1.557.397 títulos de autores estrangeiros no total).

– Por fim, uma curiosidade: em 2012, ano passado, ainda de acordo com o Publish News, para livros de ficção, tivemos 31.311 exemplares vendidos de “As Esganadas”, do Jô Soares, 28.094 exemplares de “Diálogos Impossíveis” e do Luis Fernando Veríssimo, o que é um pouco mais de 3,27% do total de na lista de 20 mais vendidos de ficção durante o ano todo (foram 1.815.242 de títulos de autores estrangeiros). Os mesmo 3,27% que temos por enquanto em 2013.

Está bonito?

Autor brasileiro lido em larga escala só em não-ficção, onde costumamos encabeçar as listas todas. Para os autores de ficção, nem a existência de uma data para eles – nós? –, pobres escritores brasileiros, ajuda, de qualquer forma que seja, a mudar este quadro.

Triste, mas é o que temos, então comemoramos como podemos.

E parabéns aos bravos escritores nacionais, que insistem em escrever.

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