Brad Pitt e os zumbis

Aproveitando o último feriado em Sampa até novembro, fui assistir o filme de zumbi mais comentado dos últimos tempos, “Guerra Mundial Z”, baseado no livro homonimo de Max Brooks. Nao li o livro ainda (embora ja esteja com ele em mãos), mas já sou familiar ao trabalho do autor desde que li “O Desfile da Extincao e Outras Historias”, com contos dentro do tema dos devoradores de carne humana. Bom, fui ao cinema bastante ansiosa, esperando assistir um dos melhores filmes do gênero, mas isso não aconteceu. Não que o filme seja ruim, de forma alguma, mas na minha opinião, como fanática declarada do gênero e autora da minha propria novela de zumbi, achei que o resultado deixou um pouco a desejar.

Pra comecar, o elenco foi escolhido de forma espetacular. A dinâmica entre Brad Pitt e Mireille Enos foi muito bem desenvolvida, totalmente crível e a atriz de The Killing faz com maestria o papel da esposa forte e preocupada que precisa ser uma rocha para as filhas apesar da situacao fragilizada na qual se encontra enquanto o marido viaja o mundo em busca de respostas para a epidemia que toma o mundo. Ela representa tao bem seu papel que a primeira critica que eu tenho a fazer trata-se de terem usado muito pouco o seu talento, resumindo sua participação em reles aparições para criar vínculo emocional entre a plateia e o protagonista.

Em segundo lugar, gostei muito do filme trazer uma nova perspectiva do contágio, uma vez que o foco dos zumbis não se mostra ser a alimentação, aquela fome característica que conhecemos bem, e sim a necessidade de espalhar o vírus. Sim, o personagem mais assustador aqui não são os zumbis em si, mas a própria doença. A ideia de que o virus tem vontade própria acaba se tornando uma noção avassaladora e completamente verossímil.

Temos então o enredo em si. O conceito do filme é bastante interessante, mas acaba se desenrolando de uma forma tão rápida que sequer temos tempo de absorver as consequências da infestação ao redor do globo. Brad Pitt viaja de forma tão rápida e fácil tantas vezes durante o filme que a sensação que temos é de que a tal da Guerra Mundial Z dura apenas 2 ou 3 dias, no máximo uma semaninha…

Um destaque especial, pra mim, está em uma cena específica e bastante aterradora. Se passa em Israel, ao redor dos muros construídos para isolar a população saudável. Estou evitando spoilers aqui, mas não tem como esquecer este momento que, na minha opinião, é o mais impressionante das quase duas horas de material.

Uma das personagens mais interessantes é Segen, uma jovem soldado palestina que se torna a representação da salvação diante dos olhos de Brad Pitt. Meu problema é apenas que, assim como Mireille Enos, a personagem é mal utilizada, se tornando uma coadjuvante que, certamente, possui muito mais valor para a trama do que ser a ajudantezinha do protagonista.

No geral, o filme é interessante. As cenas de ação são realmente maravilhosas e dignas de uma superprodução com um ator do porte de Pitt. Porém, no fim das contas, temo que o filme seja apenas isso mesmo: um filme do Brad Pitt. A produção promete ainda duas sequências a esta história, transformando a guerra em uma trilogia, entao acho melhor esperar e guardar a minha opinião final para depois de assistir tudo até o fim. Enquanto isso, vou curtir a versão literária, que me parece bem mais interessante…

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