Conheça o outro lado de Dexter

livros_dexterOntem nós contamos um pouco da última temporada de Dexter, que estréia no próximo domingo, 30 de junho. Mas este personagem tão querido tem um outro lado ainda mais sombrio do que este que conhecemos e amamos, um lado sem nenhuma censura, o lado que deu origem ao personagem de Michael C. Hall: O Dexter de Jeff Lindsay.

Quase todo mundo já deve saber a esta altura que a série é inspirada em uma coleção de livros, mas quantos de vocês realmente leram as 6 partes existentes da saga original? Eu, que sou uma obsessiva convicta, não resisti e, assim que terminei de ver a 7ª temporada, fui correndo buscar a coleção literária e posso dizer com convicção que não me decepcionei.

O livro conta uma história completamente diferente da série, mas totalmente MESMO. Se você parar pra ler o primeiro livro, vai dizer que eu estou errada na primeira página, mas ao final vai concordar. Ao contrário das limitações que a televisão exige, o universo literário oferece total liberdade criativa.

Em primeiro lugar, tem as diferenças entre as personalidades dos personagens e sua relevância na história. Depois, temos as diferenças de vilões e de roteiros. Grandes ícones da televisão, como Trinity, não chegam sequer a dar as caras no universo de Lindsay. Vou contar um pouco pra vocês…

SOBRE OS PERSONAGENS…

DEXTER: A versão da TV é quase apaixonante, um misto de ingenuidade e sadismo incríveis que, aos poucos, começa a deixar transparecer traços de humanidade. Sua contraparte literária, porém, é um psicopata no sentido médico da palavra: totalmente despido de qualquer emoção ao ponto de se referir à Rita constantemente como “idiota”.

DEB: A boca suja inconfundível é um traço comum às duas versões da irmã de Dexter. O que muda, essencialmente, é sua aparência: A versão dos livros é descrita como uma loiraça peituda estilo Baywatch que sofre preconceito dentro da polícia por sua aparência de modelo de biquini.

ANGEL: Na televisão, um dos personagens mais carismáticos e o mais próximo que Dexter poderia ter de um “amigo”, certo? No livro ele mal aparece…

VINCE: Muito mais proeminente no livro do que na série, ambos têm a mente suja e doentia, mas a versão da TV serve como alívio cômico enquanto a versão literária é descrita por Dexter como alguém que também está “fingindo”, como ele próprio.

MARIA La GUERTA: Na televisão, ela é uma mulher obstinada e ambiciosa que sobre na polícia por meio de suas habilidades políticas. Já no livro, ela é uma policial burra que sobre na carreira dormindo com seus superiores. A quedinha dela por Dexter no livro é muito mais intensa do que na série e sua desconfiança dele também.

DOAKES: A personalidade raivosa dele se mantém, mas o livro mergulha muito mais profundamente em sua história no exército. O destino do personagem é bastante diferente em suas duas versões, sendo a literária muito mais macabra do que sua morte prematura na televisão.

RITA: A história de vida é a mesma, incluindo os anos de abuso de seu primeiro marido. Na TV, Dexter cria laços com ela, especialmente depois que passa a apreciar o sexo. Na versão literária, sua aversão sexual se mantém, embora ele utilize o sexo como ferramenta de “normalidade”, e Rita não passa de um simples disfarce seu.

CODY & ASTOR: As crianças são realmente o ponto fraco de Dexter. Sua relação com Rita se fortalece por causa de seu “afeto” pelos dois. No livro, porém, os dois não são crianças “fofinhas” como as da TV, e sim pequenos protótipos de Dexter, que logo nota a “escuridão” dos irmão e decide nutrir da maneira como Harry fez com ele.

SOBRE A HISTÓRIA…

“DEXTER, A MÃO DIREITA DE DEUS”: O primeiro livro foi a inspiração para  a série, trazendo uma trama muito similar. O passado familiar de Dexter é realmente o que está em jogo enquanto ele fica cada vez mais fascinado com um Serial Killer que a televisão nomeou de “Ice Truck Killer” mas que, no livro, é batizado de “Tamiami Butcher”. Mas ao final do livro, as diferenças já se mostram drásticas, apresentando uma versão bem menos moralista de Dexter e um final muito mais sombrio, incluindo uma grande revelação e uma morte prematura.

“QUERIDO E DEVOTADO DEXTER”: Na segunda temporada da série, o cemitério de Dexter é descoberto e ele ganha o apelido de “Bay Harbor Butcher”, o que traz o FBI para sua cola, criando um romance com Deb. No livro, o que atrai a atenção do FBI é um serial killer que desmembra suas vítimas em um jogo muito complicado de “forca” enquanto clama vingança. Apesar de sofrer com a perseguição de Doakes, o sequestro do namorado de Deb pelo assassino e a relação pessoal de Doakes com a trama os incentiva a unirem-se, o que traz resultados trágicos. Enquanto isso, um erro de cálculo de Dexter o coloca em uma situação complicada com Rita, uma situação que ele decide manter para poder ser o pai que Cody e Astor precisam.

“DEXTER NO ESCURO”: A terceira temporada da série apresenta Miguel Prado e todas as nuances de sua loucura para afetar o universo de Dexter às vésperas de seu casamento com Rita. Já o livro, que se passa igualmente durante os preparativos do grande evento, nos traz uma visão mais pessoal do “Passageiro” de Dexter, explicando de forma quase religiosa sua origem enquanto Dexter sofre com o desaparecimento de seu assassino interior e, pela primeira vez na vida, descobre o sentimento do medo. Enquanto ele se torna a presa de um assassino de sangue muito frio, tenta iniciar o treinamento de Astor e Cody no seu pequeno universo de sombras.

“DEXTER – DESIGN DE UM ASSASSINO”: Na quarta temporada, com a chegada do pequeno Harrison, vislumbramos a iserção de Dexter dentro de um universo familiar enquanto ele próprio tenta aprender com Trinity a arte de unir seu pequeno passatempo com uma família aparentemente perfeita, o que destrói não apenas sua ilusão, mas a maior parte de sua vida. O livro, porém, tem um tom bastante diferente. Após sua lua de mel em Paris, Dexter retorna para casa e se depara com um serial killer bastante diferente, que deixa corpos ajeitados como peças de arte em locais públicos do ciclo turístico de Miami. Enquanto Rita começa a perceber que Cody não é uma criança comum, o erro de Dexter ao vingar o ataque do assassino que colocou Deb em coma no hospital ameaça revelar sua identidade secreta, destruir sua família elevar o turismo de Miami à falência.

“DEXTER É DELICIOSO”: A quinta temporada da série nos mostra um Dexter à beira de um colapso após a morte de Rita, perdendo a guarda de Cody e Astor e que acaba encontrando sua paz ao ajudar uma vítima de estupro a buscar a vingança contra seus múltiplos agressores. A versão literária, porém, aborda o nascimento de sua pequena filha Lilly Anne que, pela primeira vez, lhe traz o desejo de abandonar o Passageiro para poder ser um pai de verdade para ela. No entanto, um possível sequestro de duas adolescentes e sua associação com o filho de um político poderoso o leva para dentro de um grupo quase vampiresco que o faz lutar internamente entre seu instinto assassino e seu desejo de seu um pai melhor. Como se não fosse o bastante, uma pessoa de seu passado ressurge determinada a se tornar parte da família.

“DUPLO DEXTER”: A sexta temporada de Dexter traz um fanático religioso esquizofrênico que trabalha para trazer o apocalipse, gerando assassinatos violentos e bem elaborados e culmina na descoberta de Deb do “passatempo” de seu irmão. Já o sexto livro da série coloca Dexter em uma situação complicada quando suas ações transformam um programador em um assassino completamente obcecado com ele e que deseja incriminá-lo de qualquer maneira possível enquanto as lições de Astor podem se tornar mais práticas e menos teóricas.

“DEXTER’S FINAL CUT”: O sétimo livro da série está com o lançamento programado para outubro deste ano. Embora não haja nenhuma declaração oficial, tudo indica que será a última novela da série. A sinopse dá uma noçãozinha do que está por vir mas, certamente, não terá nada a ver com o momento em que a série se encontra: Um grupo de atores de um programa policial visita a delegacia para pesquisar seus personagens. O deste atores, Robert Chase, fica fascinado com Dexter e decide seguir todos os seus movimentos, e as conseqüências disso são totalmente imprevisíveis.

E aí, já deu vontade de ler os livros?

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7 thoughts on “Conheça o outro lado de Dexter

  1. Comecei com os livros (ainda estou no segundo, mas já amei o personagem) e fiquei com medo de acompanhar a série, acabando com a minha imaginação sobre os personagens (faço o mesmo com as Crônicas de Gelo e Fogo). Porém, como tenho uma lista gigantesca pra ler, e o terceiro e quarto livros ficarão pro ano que vem, estou pensando seriamente em me aventurar no seriado. A ansiedade está forte!

    • Nina, semana passada comprei e assisti a primeira temporada. Foi difícil me acostumar à um Dexter mais sério, uma Debra mais alegre e várias cenas que achei foçadas (como aquela busca que ele faz no consultório do psicólogo ou mesmo a interação sem nenhuma desconfiança com o próprio irmão de sangue), mas gostei muito!
      Entre a série e o livro, sem dúvidas que fico com o livro, mas guardarei alguns trocados pra comprar a próxima temporada. =)

      Obrigado!

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