Ser publicado

Não conheço nenhum estudo que corrobore com o que afirmarei, mas eu aposto que os leitores – consumidores de literatura –, de um modo geral, estão dividido em 4 grupos: os que gostariam de escrever bem; os que acreditam que escrevam bem, mas não escrevem, e sonham em serem publicados; os que escrevem bem e sonham em serem publicados; e os que foram publicados – gosto deste último grupo quando imagino grandes nomes da literatura como simples leitores e admiradores de outros escritores.

livraria

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Apesar de eu às vezes achar que sou do terceiro grupo (os que escrevem bem), a insistência dos amigos de eu ser do segundo (que não escrevem bem) me faz crer que eles podem estar realmente errados. Publicado? Não, nunca. Mesmo porque para ser publicado é necessário ter uma obra pronta e tentar publicá-la, e não posso afirmar ter nenhum destes feitos em meu currículo. Hoje, no Brasil, porém, qualquer um que tenha uma obra pronta e some a isso boa vontade, insistência ou algum dinheiro no bolso consegue ter seu primeiro livro publicado e lançado, por pior que seja a obra e a edição. Mas claro que o grande sonho dourado de muitos, se não da maioria, é ter sua obra escolhida por um editor, ser lançado por uma editora de qualidade e ver seu livro em uma grande livraria Para isso não só a qualidade é importante, mas a persistência também. Prestem atenção no trecho que retirei do livro “O andar do bêbado – como o acaso determina nossas vidas”, do físico Leonard Mlodinow.

“Suponha que você tenha enviado o manuscrito de seu romance de suspense sobre o amor, a guerra e o aquecimento global a quatro editores, e que todos o tenham rejeitado. Sua intuição e a sensação esquisita na boca do estomago poderiam lhe dizer que a rejeição de tantos editores experientes significa que o manuscrito não é bom. Mas essa intuição estará correta? Será o romance impossível de vender? Todos sabemos, a partir da experiência que se diversos lançamentos seguidos de uma moeda derem cara, isso não significa que estamos jogando uma moeda com duas caras. Existirá a possibilidade de que o sucesso editorial seja algo tão imprevisível que, mesmo que um romance esteja destinado à lista de best-sellers, diversos editores não se deem conta disso e mandem cartas dizendo “Obrigado, mas não, obrigado”? Nos anos 1950, um certo livro foi rejeitado por vários editores, que responderam com comentários do tipo “muito maçante”, “um registro enfadonho de querelas familiares típicas, aborrecimentos insignificantes e emoções adolescentes” e “mesmo que houvesse surgido cinco anos atrás, quando o tema [a Segunda Guerra Mundial] ainda era oportuno, não me parece que teria qualquer chance”. O livro, O diário de Anne Frank, vendeu 30 milhões de cópias, tornando-se uma das obras mais vendidas da história. Cartas semelhantes foram enviadas a Sylvia Plath, porque “definitivamente não pudemos notar um talento genuíno”; a George Orwell, por A revolução dos bichos, porque “é impossível vender histórias sobre bichos nos Estados Unidos”; e a Isaac Bashevis Singer, porque “são a Polônia e os judeus ricos outra vez”. Antes de ficar famoso, Tony Hillerman se viu abandonado por seu agente, que o aconselhou a “se livrar de todo esse negócio sobre os índios”.
Esses não foram erros de julgamentos isolados. De fato, muitos livros destinados a grande sucesso tiveram que sobreviver não só à rejeição, mas à rejeição repetida. Por exemplo, atualmente, considera-se que poucos livros despertem um fascínio mais evidente e universal que as obras de John Grisham, Theodor Geisel (Dr. Seuss) e J. K. Rowling. Ainda assim, os textos que esses autores escreveram antes de se tornarem famosos – e que seriam, todos eles, muito bem sucedidos – foram repetidamente rejeitados. O manuscrito de Tempo de matar, de John Grisam, foi rejeitado por 26 editores; seu segundo original, A firma, só atraiu interesse de editores depois que uma cópia pirata que circulava em Hollywood lhe rendeu uma oferta de U$600 mil pelos direitos para a produção do filme. O primeiro livro infantil de Dr. Seuss, And to Think I Saw it on Mulberry Street, foi rejeitado por 27 editores. E o primeiro Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado por nove. Além disso, há o outro lado da moeda – o lado que qualquer pessoa do mundo dos negócios conhece bem: os muitos autores que tinham grande potencial, mas que jamais se tornaram conhecidos, John Grisams que desistiram depois das primeiras 20 rejeições ou J. K. Rowlings que desistiram após as primeiras sete. Depois de ser rejeitado muitas vezes, um desses autores, John Kennedy Toole, perdeu a esperança de algum dia ter seu romance publicado e cometeu suicídio. No entanto, sua mãe perseverou, e 11 anos depois Uma confraria de tolos foi publicado; ganhou o Pulitzer de ficção e vende quase 2 milhões de cópias.”

Insistir é preciso? Como visto, sim. Mas existem atalhos, como os muitos e vários concursos literários para publicação de novos autores, que podem ser conferidos no site com o sugestivo nome de Concursos & Prêmios Literários, saraus, e exposições de arte.
Eu, mesmo sem nada que possa chamar de obra e sendo autor de textos de gosto duvidoso, tive o prazer de colocar algo que escrevi no Wallpeople São Paulo 2013 – Music Edition, organizado aqui na cidade pelo ótimo pessoal do Olhe os muros, e tenho sido convidado pelo pessoal do Coletivo Rock The Arts! (serviço abaixo) para expor, sempre em parceria com a Nina Amaral, com textos próprios e à 4 mãos. Ainda que não seja a publicação sonhada, em brochura, é uma sensação deliciosa, um belo incentivo e um meio de divulgação do trabalho. Por isso, aconselho todos a lembrarem sempre que literatura é a 6º arte coloca-la em exposição é a melhor pedida.

coletivo rock the arts

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