Leminski, Ian McWean e o sebo

Saudades?

Espero que alguém aí tenha ao menos respondido um “talvez”, porque voltei e foi exclusivamente por acreditar que isto aqui fez falta para alguém além de mim mesmo.

Leminski

Leminski

Fez falta para mim porque neste tempo que estive fora, vi de longe o saudoso Paulo Leminski emplacar o primeiro lugar na lista dos mais vendidos, com o livro “Toda Poesia”, que reúne toda a obra poética do autor (Companhia das Letras, 424 páginas, R$ 46,00) , ultrapassando os sofríveis livros da trilogia “50 tons de cinza” – e seu ainda mais sofríveis similares – e os ainda piores livros de autoajuda, categoria que incluo, com razão, os livros de pastores, padres e afins. E isso tudo antes do lançamento paulistano da obra, que só ocorreu nesta última segunda-feira, no Itaú Cultural, na avenida Paulista. Sim, o poeta paranaense venceu. A poesia venceu. A literatura venceu.

Tudo o que eu faço

alguém em mim que eu desprezo

sempre acha o máximo.”

Mas o mundo não é só poesia. E sintetizando as maiores chagas e mais aflitivas mazelas do mundo, existe aqui do lado do escritório, onde este recém ex desempregado trabalha, um enorme e desorganizado sebo, além de outro, menor e ainda mais desorganizado, algumas quadras abaixo. Um inferno. São pelos problemas que este fato, aparentemente irrelevante, causam na vida de um comprador de livros compulsivo, leitor aficionado e pobre-falido, uma pessoa de psique perturbada, que um ser humano se transforma num Charles Manson, num Hitler, num Eric Harris ou num Dylan Klebold da vida. É enlouquecedor.

Tal qual um psicopata, neste primeiro mês de trabalho, entrei no local um dia a cada semana, em média. Entro, olho, analiso, namoro, passo e repasso todos os títulos, vejo preços de obras que me interessam, agradeço e vou embora. Mas eu particularmente considero que esta média de uma visita semanal é uma vitória tendo em vista que passo em frente ao tal sebo quatro vezes por dia – ao chagar ao trabalho, ao ir almoçar, na volta do almoço e ao fim do dia – e somente ontem, pela primeira vez, abri a carteira e sai de lá com um título debaixo do braço. O escolhido foi “Na Praia”, do Ian McEwan (Companhia das Letras, 136 páginas, R$ 35,00), autor britânico que é um dos melhores da contemporaneidade.

Claro que a loira linda, simpática, sorridente e jovem que fica ali, atrás do balcão, não me motiva nem um pouco a passar pelo sebo. Claro. Principalmente depois de ontem, que ela resolveu “pegar uma carona” comigo na caminhada de seiscentos metros até a estação de trem e tivemos a oportunidade de conversar sobre futilidades. Não. O problema continua sendo o excesso de livros.

Voltando ao Ian McEwan, a obra trata da noite de núpcias do virgem casal formado por Edward, um jovem pobre recém formado em história, com viés socialista e cheio de hormônios aflorados, como deve acontecer com todo jovem de vinte e dois anos ainda virgem, e Florence, recém formado em música, sonhadora, mimada pelo pai, rejeitada pela mãe, com boa condição financeira e aversão a sexo.

Mas lendo a obra e me aprofundando nos personagens, como toda obra de McEwan nos permite, me peguei me perguntando: terei sido eu o único que achou os personagens deste “Na Praia” cheio de semelhanças com os de “Liberdade”, livro do estadunidense Jonathan Franzen? Reparem bem e me digam: Richard, um dos personagens da obra de Franzen, não tem traços de Florence, uma das protagonistas da obra de McEwan? E o jeito de Walter não lembra um pouco o de Edward? Pela minha impressão, a obra do estadunidense perdeu um pouco em originalidade aqui.

Enfim, para saber mais sobre o livro “Na Praia”, eu aconselho uma visita ao sitio Livros Abertos, da ÓTIMA e jovem crítica literária Camila Kehl, lá do Rio Grande do Sul, o qual sou leitor assíduo e grande admirador da crítica jornalística descritiva que a jovem faz das obras.

De minha parte, para vocês, basta a informação que o livro foi lido por mim em uma noite. E isso sem pressa.

Ah, sim, e caso se interessem, a moça do sebo é fã de Marylin Monroe. Mas quem não é?

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