Diário de um roqueiro viciado em festivais

Lollapalooza, 29 de março. 1º dia.

Em um confortável dia de garoa, cinza e aquele ótimo frio para acompanhar grandes shows, chegamos ao Jockey com atraso. Perdi o ultimo show da turnê do Agridoce. Merda. 2 vezes. Bom, ao menos vamos aos shows que conseguimos ver.

cake-band-sp02O dia começou com grande expectativa para ver o Cake. No meio dos anos 90, polarizados entre o final do Hair Metal, o crescent Grunge e o, ainda bebê, Brit-Pop, o Cake surgiu com uma proposta… incomum. Ótimos arranjos, ótima banda, ótimo show. Sim, o show foi ótimo, apesar do volume de radinho de pilha. Um pouco “chapado”, o vocalista John McCrea mostrou carisma, total controle da plateia e ótima voz. Banda entrosada, macaca velha de shows. Sim, o show foi ótimo.
PS: detalhe para o fantástico violão de McCrea…

– Momento pausa, comer alguma coisa, o que significa pegar fila, pisar na lama e no estrume. (Porra GEO, tablados? Cascalho?)

Fomos nos acomodar e ver o que, para mim, foi o melhor momento do festival. Não foi o melhor show, mas a peculiaridade dos caras e sua capacidade de abstração é inigualável: The Flaming Lips.

ipsCom diversas músicas do, no dia, inédito disco “The Terror”, a banda fez uma espetacular demonstração de psicodelia e desprendimento. Momentos que lembravam “Set The Controls For The Heart Of The Sun”, de pura lisergia. Apesar da ligeira brincadeira/paranoia com os aviões, Wayne liderou o momento mais artístico do festival.

– Pausa. Vamos descansar os pés. Vamos assistir as pessoas que foram apenas para ver a atração principal chegarem com calçados brancos, saltos. Vamos rir um pouco deles.

Não se pode dizer que o show tenha qualquer tipo de transgressão. Não se pode dizer que as músicas sejam inovadoras, ou ainda as melhores em seu estilo. Mas é inegável o quanto a banda é competente ao vivo. Extremamente bem ensaiada, com total domínio do “show” e muito carismática, fechou o dia com muita competência. Sim, a estratégia é manjada: abra com um clássico, toque muitos deles e sua apresentação está garantida. Mas quantas bandas têm tantos clássicos, com apenas 5 discos?

the_killersÉ muito claro o quanto o The Killers tomou o lugar que, até o “Pop”, foi do U2. Uma banda com flerte no eletrônico, sem soar chato, com flerte no Pop, sem soar banana, e um flerte na disco, sem soar brega. O show é muito divertido e a carreira dos caras preenche a lacuna que foi deixada pela banda-mãe quando decidiram se tornar as “melhores pessoas do mundo”… e chatos.

Destaque para a ótima cozinha. Em tempos de indie rock xoxo, peso e groove (ainda que duro) são MUITO bem-vindos. Belíssimos timbres de guitarra e um sintetizador com um pé na loucura do Kraftwerk (em timbre, calma!). A voz do Brandon é muito potente, e apesar de apenas 1h30 de show, muito bem dosada.

Lollapalooza, 30 de março. 2º dia

O frio me abandonou. O calor veio. Mas tudo bem. Dessa vez não perdi nenhum show!

ludov_2Chegamos cedo. Cedo. Para ver o grande Ludov. Apresentação segura, um pouco demais, mas natural de uma banda que busca conquistar o público. No entanto, já estava ganho; as pessoas estavam lá empolgadas para curtir essa grande ausência das FMs brasileiras. Destaque para as excelentes interpolações de guitarra. Para uma banda Pop, o Ludov tem composições, arranjos e performance acima da média. Vale conferir!

– Pausa para os primeiros drinques, contrabandeados, e uma visita aos estandes do evento.

gary-clark-jr-credit-frank-maddocks-medium-pic1-aug12Gary Clark Jr. Já o tinha visto na abertura do Eric Clapton, no Morumbi, em 2011. Grata surpresa que, longe da atmosfera extremamente favorável (show para amantes de blues) o seu show se sobressaia ainda mais. Com pitadas claras de Jimi Hendrix, Albert e Freddie King e um quê de Buddy Guy na escolha de notas na guitarra, o cara fez o show inteiro ovacionado pela plateia. Quem disse que brasileiro não gosta de blues?

– 2a pausa. Agora para sentar. Encontro um grande amigo que não via há 5 anos (ou mais/ou menos) e aproveitamos mais um pouco a rodada (agora final) de drinques. Uma querida (e perdida) amiga finalmente chega e vamos para o próximo!

Alabama Shakes! Corro o risco de chamar esse de o show mais “feel good” do festival. As músicas espetaculares, a banda com um quê Alabama+Shakes++PNGde um “Big Brother & The Holding Co.” se liderados pela Etta James. E de repente o Jockey se tornou um culto gospel. Lindo. Detalhe para a entrega das pessoas ali. Coxinhas, hipsters, metaleiros. Todos.


– Corre. Os caras vão começar!

Agora é o momento. Já falei do show mais artítico do festival (The Flaming Lips), do mais competente (The Killers), do mais gostoso
(Alabama Shakes). Chega. Agora é hora do melhor. Com uma despretensão que lhe é peculiar, Josh Homme sobe ao palco, fala 2 palavras e pronto. O show está ganho.

qotsa-1024x682Com uma pedrada seguida da outra, setlist coeso, muito bem tocado (considerando o novo baterista e que esse foi o 1º show da turnê), e com um volume e peso que eu não tinha visto em nenhum festival brasileiro. A banda manda seu maior clássico logo na 2ª música para mostrar que não tem medo. Desacelera as coisas com uma música lenta para gerar dinâmica ao show. Manda música nova que ninguém tinha ouvido e todo mundo se apaixona. E quantas bandas tem uma música como A Song For The Dead para encerrar um show? Poucas… Só as fantásticas. E esse é o Queens Of The Stone Age.

– Pausa. Nossa, precisamos absorver isso que passou. Vamos comer (pegar fila, pisar no estrume) e sentar um pouco.

Expectativa pelo The Black, não nego. Queria ver o som dos caras ao vivo. Acho interessante o som no estúdio e sempre gosto de ver the-black-keysbandas ao vivo que me surpreendam. A banda, claramente, é competente, tocam bem, sabem o que fazer. O problema é que, para mim ao menos, rolou um certo anti-clímax. O som extremamente baixo, a certa falta de ensaios da banda, o som comum demais e o furacão que tinha passado logo antes deles. Infelizmente, o The Black Keys foi uma decepção para mim. Não fiquei nem até o final do show, dado a vontade de não estragar a memória do Queens Of The Stone Age com um show xoxo.

Lollapalooza, 31 de março. 3º dia.

– O cansaço somado aos outros 2 shows do Pearl Jam que já vi ganharam de mim. Preferi ver o baile do Corinthians e um inseguro São Paulo, tomando (o recém-descoberto) mimosa, e rindo das estranhices que vimos no Jockey. Para os outros reviews dos nossos queridos Junkies, acesse os links abaixo!

Que venham outros festivais! Que venha o Black Sabbath!

Os Junkies invadindo o Lollapalooza 2013

Os Junkies invadem o Lollapalooza 2013

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