Cobertura Lollapalooza 2013 – Dia 3

Depois de dois dias exaustivos, apesar de ótimos, andando de um lado para o outro em meio ao barro e à merdaiada cavalar, chegou o Domingo trazendo o último dia de Lollapalooza. Dia de se permitir perder shows imperdíveis, para dar ao corpo um pouco de descanso. Assim, perdi Vivendo do Ócio, Lirinha + Eddie e Foals. As nacionais poderei ver depois (isso se o Lirinha e o Eddie fizerem outro show juntos, claro), mas o Foals eu estava doido para ver. Uma pena.

SHOW DO PUSCIFER

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Cheguei pelo palco Cidade Jardim na metade do show do Puscifer, correndo para encontrar o colega de Ok! Annie Fernando A. B., mas tudo que encontrei foi um show potente, com o som alto, cheio, músicas bem tocadas. Energético como esperado e, acima de tudo, delicioso. Ou, como bem resumiu bem Daniel Miranda, “um som ótimo de se ouvir sem conhecer, imagina conhecendo bem.”

De lá, caminhamos a passos lentos e dolorosos até o palco Butantã, para vermos os britânicos do Kaiser Chiefs, uma das bandas queridas lá do @artesbarbaras, até descobrirmos o som tão baixo quanto o que se ouviu durante o show do Cake na sexta feira. Decepção? Quase.

SHOW DO KAISER CHIEFS

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A banda no palco, liderada pelo simpaticíssimo e energético Ricky Wilson, não deixou ninguém baixar a cabeça. Pelo contrário, fez o público olhar de um lado para o outro, enquanto corria pelo palco, incansável, e fez todos olharem também pra cima, para o alto das estruturas do palco ou as da cabine de som, onde ele escalou, depois de caminhar no meio do povo. E tudo isso em meio a ótimos hits, como Ruby, Everyday I Love Less and Less e I Predict A Riot. Só faltou volume nas caixas de som.

Caminho da roça, voltamos ao palco Cidade Jardim para ver o show de The Hives na turnê que divulga o álbum Lex Hives, de 2012, presente em tantas listas de melhores do ano e na minha particular de mais decepcionantes e repetitivos.

SHOW DO THE HIVES

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Eu avisei, antes do show começar: “Repetitivo e cansativo, o disco novo é fraco”.
Sim, o disco é fraco. E repetitivo. E, cacete, como funciona bem ao vivo!
A banda entrou de smoking e cartola para tocar para quase todo o público que iria assistir Pearl Jam logo mais a noite. Um público que conhecia bem apenas três ou quatro músicas de toda a carreira da banda. Uma receita para o fracasso. Não?
Não.
Cinco loucos animadíssimos e engraçados, com destaque para o vocalista Pelle Almqvist, desfilando um português cheio de sotaque, mas fácil e rico, e um humor tão bom, que fez o show ser um meio show de rock, meio stand up comedy. Fantástico. Pelle levantou todo mundo, colocou o público para pular, para bater palmas, levantar os braços e participar de um jeito tão incrível que o fez implorar: “Somebody better take a picture of this.” Realmente. A impressão era que todo mundo no Jockey Club de S. Paulo estava com os braços para cima. A impressão era que todo mundo, sem exceção, estava amando aqueles suecos loucos. E quando Pelle pediu para todos se sentarem e muita gente o obedeceu, a impressão virou certeza. Uma aula de como se apresentar ao vivo, de como conquistar um público que não conhece seu trabalho. Um verdadeiro show.

Veio então o tão esperado show do Planet Hemp, primeiro show em terras paulistanas desde 2003, enquanto o dançante Hot Chip balançava o povo no palco alternativo. Uma multidão sem fim rumou de volta para o palco Butantã ou para o Alternativo. Uma multidão, menos eu, minha irmã e meu cunhado. Fomos ao sentido contrário até o mais perto do palco Cidade jardim que pudemos, para poder ver de mais perto possível a banda da vida da minha irmã. Sobre o show do Hot Chip, tudo que registrei foi uma morena linda e sensual dançando sem parar, mesmo com o som vindo tão baixo. E sobre a turma do D2, tudo que sei é que, a fim de que a música daquele palco Butantã, enfim, chegasse mais longe e tocasse mais alto, o som acabou ficando estourado. Uma pena.

Veio então o silêncio e a angustia tomou conta dos fãs do Pearl Jam. O único show que começou com atraso (dez minutos). E mais nada pode ser dito contra o quinteto de Seattle em relação ao show integrante da turnê de comemoração de vinte anos de banda. Ou talvez possa ser dito que o tempo de show foi pouco.

SHOW DO PEARL JAM

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Com o público ganho mesmo antes de subir ao palco, tudo que a banda precisava fazer era fazer o que sempre fazem. Não tinha como dar errado. E não deu. Com um desfile de hits, com músicas de todos os discos, exceto No Code, o disco renegado da banda, Eddie Vedder em muitos momentos nem precisava cantar, tamanha energia e vontade dos fãs. Em um fenômeno quase inverso ao do show do Hives, desta vez foi o público que conquistou a banda aos poucos, até o amor extremo ficar mútuo e mais nada, nada, faria o show desandar.
Destaque para o cover de Ramones e de The Who, e para a música Jeremy, poucas vezes tocada ao vivo recentemente.

Findo o show, o bem estar se fez presente, mas não suficientemente para fazer a dor nos pés da minha irmã diminuir. Rumávamos para casa, com calma e lentamente, mas incrivelmente satisfeitos.

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2 thoughts on “Cobertura Lollapalooza 2013 – Dia 3

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