Eu odeio “O Iluminado” do Stanley Kubrick

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Sim, eu sei. Sou uma aberração entre todos os alunos de comunicação. Também estudei este filme em sala de aula e sei que a maioria dos meus coleguinhas é apaixonada por ele desde o dia em que algum professor lhes entregou uma lista do qual ele fazia parte. Eu conheço toda a semiótica que permeia a historinha de fantasma que Stanley Kubrick contou. Este é justamente o meu problema. “O Iluminado” do Kubrick é apenas isso: uma historinha de fantasma. Horror pra criancinhas. E olha que eu sou fã declarada do gênero.

Como fã declarada desde criancinha, segui os passos de meu pai. Feliz da vida com uma filha que não tinha medo do escuro, papai me introduziu ao incrível universo da literatura do horror, cujo maior representante contemporâneo é simplesmente Sir Stephen King. Eu tinha 12 anos quando ganhei meu primeiro livro do Stephen King, “A Longa Marcha”, um dos livros escritos sob o pseudônimo Richard Bachman. Uma semana depois, eu fui até uma Livraria Cultura e comprei “Carrie”. Desde então, passei pela coleção do meu pai, que hoje me pertence, e tripliquei seu tamanho. Minha estante comporta hoje mais de 50 títulos do Mestre do Horror. “O Iluminado”, é claro, foi um dos primeiros 10 títulos que adquiri. Apaixonei-me pela história nas primeiras 10 páginas. Senti frio durante toda a leitura, devorei as páginas em menos de 48 horas e sinto o cheiro de laranjas toda vez que releio.

O brilhantismo da obra de Stephen King, no que me diz respeito, não está no horror ou nas criaturas assustadoras que ele descreve com tanta destreza. O brilhantismo de seu trabalho está na doçura dos momentos mais ternos e nas metáforas. “O Iluminado” não é uma história de fantasmas, é um conto sobre o alcoolismo e a forma com a qual esta doença é capaz de destruir famílias. Ele está compartilhando com o público sua própria história. É por esta razão que eu detesto “O Iluminado” de Kubrick, sua história de fantasmas.

Kubrick exagera nos recursos visuais, tornando o filme verdadeiramente assustador para o público, mas, assistindo ao filme, não tenho os calafrios de inverno que senti ao ler o livro e, mais do que qualquer outra coisa, não sinto o cheiro de laranjas que representa o medo florescendo naquele garotinho de 5 anos enquanto ele assiste o pai se perder dentro de sua doença.

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3 thoughts on “Eu odeio “O Iluminado” do Stanley Kubrick

  1. Eu acho que o Kubrick pecou ao adicionar tempero de mais de excentricidade nos personagens, pintando um Jack louco desde o começo, uma Wendy ridiculamente irritante e um Danny meio esquizofrênico. Por outro lado, você vai ter que concordar que ele criou um final muito superior ao do livro.

    • Não gosto do final do filme, aliás é uma das coisas que eu menos gosto! Ele pegou um livro que é uma metáfora para alcoolismo, vício e violência doméstica e transformou em uma historinha de fantasma… Mas ei, é apenas a MINHA opinião…

  2. Pingback: Como inserir Stephen King em um tweet | Junkies de Conteúdo

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