Não se fazem mais Oscars como antigamente

academy-awards-2013-list-of-winners-1243475Na casa dos meus pais, assistir ao Oscar era um evento anual. Meu pai trabalha na área cinematográfica, de modo que eu, quando criança, recebia o direito especial de ficar acordada até tarde naquele domingo especial para acompanhar a maior premiação do ano. Minha lembrança é de ficar maravilhada. Tudo que aparecia na televisão era uma espetáculo maior do que o do ano anterior. Eu tinha listas de favoritos, fazia apostas insignificantes com meus pais, vibrava a cada vencedor anunciado, me debulhava em lágrimas com alguns discursos e cada número musical me deixava boquiaberta.

Eu continuo acompanhando a premiação todos os anos, assim como meu pai. Assistimos em casas separadas agora, sem vibração ou encantamento… Ele já sabia na época uma coisa que eu só fui descobrir mais velha: A premiação não possui nenhum valor real, trata-se essencialmente de um jogo político da Academia. Até aí tudo bem, essa pequena decepção era algo com a qual eu poderia sobreviver, mas a realidade é que o evento já não é mais o mesmo.

Não sei dizer se os meus olhos infantis estavam tão encantados com o significado do momento, daquelas madrugadas ao lado do meu pai inventando receitas de doces com o que fosse que encontrássemos na geladeira, apenas nós dois, mas sinto que o Oscar perdeu o glamour. Os famosos que subiam ao palco para fazer os anúncios eram tão honrados quanto aqueles indicados e bater recordes de indicações era algo tão raro quanto vencer o mais cobiçado prêmio da noite. Hoje, porém, basta uma atriz mostrar os seios no cinema, engordar alguns quilos para um papel ou estrelar uma saga adolescente que se torna digna de subir ao palco do Kodak Theater. Quando foi que o Oscar se tornou uma passeio ao Castelo de Caras?

Eu não gosto do Billy Crystal, mas o humor dele era totalmente adequado ao conceito da Academia. Suas piadas tolas e fora de moda eram bem recebidas por uma audiência requintada, as montagens inseridas com elegância homenageavam grandes obras da sétima arte, os números musicais eram tão bem produzidos sobre o palco quanto um musical da Broadway, fazendo com que as longas horas de duração do espetáculo fossem um prazer de acompanhar.

Não estou dizendo que a homenagem prestada aos filmes do James Bond neste ano não tenha sido lindamente produzida, ou que o número de dança de Catherine Zeta-Jones não tenha sido maravilhoso, mas o espetáculo perdeu sua essência. Estamos premiando filmes inteiramente realizados em CGI com troféus de fotografia, minha gente! Será que estamos esquecendo que são feitos por computação gráfica?

Seth McFarlane pode ter sido brilhante na criação de seus personagens, mas não precisava elevar o cara a este patamar, precisava? Essas piadas crassas e agressivas são divertidas em um episódio de Family Guy, mas abrir o Oscar falando nos peitos das maiores atrizes de Hollywood não é exatamente compatível com a ocasião…

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