No Centro Do Furacão

Bruno PG 2013-02-16

Sempre achei curioso o quanto eu acredito na palavra. Seja ela falada, escrita, cantada, sugerida, (ex)implícita. Não no seu poder, mas na sua capacidade de mover. Com um simples verso, podemos mudar o mundo. Claro, não da forma ingênua, adolescente e revolucionária. Mas de uma forma intrínseca, pessoal. Acho que essa coisa de sentir-se confortado pelos amigos que não conhecemos é parte de todos. E sempre buscamos isso, ainda que de forma inconsciente.

O disco mais importante que ouvi na minha vida foi o “Southern Harmony & The Musical Companion” do The Black Crowes. Veja bem, não disse que foi o melhor álbum que já ouvi. Mas, de alguma forma, ele tem todas aquelas cores que tanto me movem na música. É repleto das raízes blues, country, gospel, soul, folk da banda e ainda consegue criar uma identidade própria ao ser interpretado com a visceralidade Rock N’ Roll/Southern Rock da banda.

Queria comentar, aqui, apenas o lado A. Não é um review, apenas uma opinião e convido vocês a pensarem sobre o lado B e, se quiserem, me enviarem suas próprias impressões.

Temos em “Sting Me” uma abertura com timbres espetaculares de guitarra e backing vocals que trazem toda a complexidade soul da banda. “Remedy” é o single, a música mais famosa, um quê de “Stay With Me” que transborda no vinil. Novamente, backings soul no epílogo.

Agora entramos na parte mais bonita do álbum: “Thorn In My Pride” e “Bad Luck Blue Eyes Goodbye”. A primeira, uma viagem folk diretamente influenciada por Crosby, Stills, Nash & Young com um clima percussivo quase latino, que permeia um clima soturno, triste e desesperançoso na música. Com uma jam barulhenta e com uma cara Joe Cocker – Woodstock.

A segunda, um blues com todos os elementos tradicionais, mas com uma letra que poderia ter sido escrita por John Lennon. Poesia do cotidiano, sofrida, dura.

O lado A fecha com esse clima dolorido: “Sometimes Salvation”. Com letras que, se esperançosas, carregam toda a dor de um blues, a banda nos apresenta toda a sua cara: música arrastada, guitarras barulhentas e um vocal cortante por todo o track.

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