Um mundo rico de escritores e tão pobre de leitores

ELJames

Escrever é enfrentar um papel em branco lhe desafiando a preenchê-lo com palavras que valham de alguma coisa. Todos escritores sabem disso. E todo mundo que sonham em escrever um livro, também. Mas a maioria se esquece que “escritor” é um substantivo atribuído a todos que escrevem. Ou seja, não importa se livros, se novelas, se contos, se diários, se bilhetes de amor, se crônicas, se reportagens, etc. Somos todos escritores. Até mesmo o estudante do ensino médio, que escreve resumos, trabalhos de escola, etc, é um escritor. De um modo geral, não é errado dizer que praticamente todo ser humano alfabetizado é um escritor.

Lindo. Lindo?

Deveria ser. Mas sobre o que escrevemos tanto, se de um modo geral lemos tão pouco? E, pior, sendo preconceituoso mesmo, porque o politicamente correto passa longe daqui, quando lemos, que tipo de “literatura” é vorazmente consumida?

Bom, eu não gosto de sofrer. Não sou um masoquista nato. Ainda assim, semanalmente eu me dou o trabalho de conferir as listas dos livros mais vendidos do PublishNews (eventualmente também confiro as listas da Folha de S. Paulo, do Estadão, d’O Globo ou da Veja, mas a mais confiável e mais ampla é a do PublishNews), com a esperança de encontrar um dia ali uma lista que me dê orgulho desse nosso público leitor. Sou louco?

Se analisarmos o histórico desta(s) lista(s), semana após semana, a conclusão obvia é que sim, sou doente mental. Cacete, alguém sabe quanto tempo faz que os título todos da E. L. James, este fenômeno comercial tão pobre de qualidade literária, ocupa todas as três primeiras posições da lista do PublishNews? Pois eu digo: não fosse o nobre e genial pensador Edir Macedo (entenda ironia aqui, por favor), o pódio seria cinza desde Novembro de 2012. Mas, E. L. James só conseguiu assumir os três primeiros lugares na primeira semana de Dezembro de 2012. E para de lá não mais sair.

Não satisfeita, as obras da autora fenômeno fez crescer as vendas de outros títulos com capa cinza e títulos sexys, digamos assim, como as obras de Silvia Day.

Resumindo, somando E. L. James e Silvia Day, são seis posições ocupadas entre os dez mais vendidos. E aí se inclui um box com todos os três títulos dessa. É para chorar?

Ainda não.

Para chorar é procurar um autor nacional entre os dez livros mais vendidos de ficção e não encontrar nada. Não nesta semana. Claro que eventualmente aparece um Jô Soares aqui, um Luiz Fernando Veríssimo ali. Mas fica nisso. Bernardo Carvalho, por exemplo, ou qualquer outro autor de boa literatura nacional, nunca. Nós, leitores brasileiros, não lemos autores nacionais.

Repetindo: além de lermos livros ruins, não lemos autores nacionais.

E aqui que a porca torce o rabo e é onde ficam as perguntas cujas respostas eu estou buscando:

Quantos escritores sonham em ser publicados? Destes, quantos sonham em viver de escrever? E, principalmente, destes últimos, quantos leem preferencialmente autores nacionais?

A se descobrir.

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3 thoughts on “Um mundo rico de escritores e tão pobre de leitores

  1. O facto de os livros serem ou não de fraca qualidade literária, não impede que faça sucesso entre os leitores. Por vezes a literatura tem essa vertente de se sujeitar a má qualidade, no entanto os leitores devoram livros que os emocionem, que os façam sonhar, que lhes criem reacções, que os envolva ao ponto de se sentirem protagonistas do enredo… Isso faz o sucesso comercial de uma obra. O sucesso literário, na sua plena qualidade de escrita, é mediana pois os leitores dessa arte são em numero muito reduzido.
    Mas entre um e outro, gosto do facto de se continuar a ler… E as escolhas de leitura, muitas vezes se deve ao marketing das próprias editoras que encaram os fenómenos, efémeros que sejam, como uma alta e rápida fonte de rendimento . Somos muitas vezes aliciados a adquirir esse tipo de livros e não outros… Cabe a cada um ser dono das suas escolhas, e ter em mente o que se quer ler ao invés de ser induzido ao tipicamente comercial e muito mais vantajoso para Editoras e livreiros.

  2. A diferença: Uns vendem-se no imediato da sua publicação, outros vão-se vendendo e poderão andar assim durante anos… Uns desaparecem para sempre, outros ficam para a história da literatura.

    Abraço

  3. Eu sou leitor adoro ler um livro,o problema da pobreza de nós eleitor é que os livros em lançamento numa livrarias são muitos caros,e onde vende livros usados os bons livros com bons escritores também estão caro,como podemos ver não são nós que gostamos de ler um bom livros que são pobre de não querer ler e sim os preços que fazem muitas gente afastarem disso,abaixem os preço e teremos bom eleitores,o governos só pensa em imposto e não esta nem ai com leituras,ai esta a respotas do assunto.

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