O Mundo Não é Feito só de Helenas

urlEles já eram uma febre nos Estados Unidos quando chegaram superpopulando  nossos canais de TV por assinatura. Hoje, não há quem não siga pelo menos um deles com lealdade quase canina, e ainda há ou loucos como eu com uma nada leve obsessão por eles, mas será que alguém aí sabe de onde vieram os seriados que conhecemos hoje?

Lá nos anos 40, ninguém sabia muito bem o que fazer com aquela tecnologia nova, então a solução foi encontrada no bom e velho rádio: migrar aos poucos os clássicos de uma tecnologia para a outra como programas de variedades e os primeiros Sitcoms (Comédias de Situação). Mas, enquanto o rádio permitia que os personagens atravessassem o mundo todo em segundos com uma reles narrativa, o estímulo visual da TV apresentava novos obstáculos que forçavam os roteiristas e se tornarem mais criativos. Foi daí que surgiu o já famosos formato de utilizar um único estúdio como ponto focal, geralmente utilizando um sofá como elemento central.

O primeiro seriado de TV completamente desvinculado do rádio foi “I Love Lucy”. Filmado diante de uma platéia ao vivo e com um núcleo familiar como foco narrativo, deu origem ao formato utilizado pelo gênero com maior freqüência até a década de 80. Inspirados pelo sucesso alcançado por Lucille Ball, começaram a surgir novos gêneros entre as décadas de 50 e 60, explodindo a popularidade dos velhos Faroestes que resgatavam o espírito heroico do americano como analogia em meio à Guerra Fria e a Gurra do Vietnã. Nos anos 70, o gênero desapareceu das telas, cedendo seu espaço para os gêneros de maior sucesso até hoje: Dramas, Comédias, Policiais e Ficção Científica.

Ao final da década de 80, a TV foi tomada por um fenômeno inesperado: o sucesso de “The Simpsons”. Esta conquista abriu novas portas para séries de animação e é considerada, em sua atual 24ª temporada, a comédia de mais longa duração da história da televisão.

Os anos 90 mudaram a cara do gênero em busca de um público mais jovem, dando origem aos programas adolescentes como “Beverly Hills 90210” (Barrados no Baile, pra quem se lembra) e “Dawson’s Creek”, dois dos maiores expoentes do gênero. Além disso, o formato dos Sitcoms foi completamente reformulado, abraçando o estilo de vida dos jovens adultos e focando seus núcleos em grupos de amigos e ambientes de trabalho, como os fenômenos de crítica e audiência “Seinfeld” e “Friends”.

Desde então, já se passou mais de uma década de tentativas e erros, fenômenos e cancelamentos prematuros, e os seriados, como os conhecemos hoje, se tornaram uma grande mistura de quase 80 anos de evolução narrativa. Nota-se uma busca constante pelo resgate de diferentes valores que foram deixados pelo caminho da busca constante por audiência.

Isso tudo não quer dizer que o público brasileiro tenha abraçado completamente este formato e esteja pronto para mudar de canal depois do Jornal Nacional, mas é um alívio saber que há outras opções para quem não aguenta mais reassistir a mesma história sendo contada dia após dia por Manoel Carlos e sua nada breve coleção de Helenas.

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