Celebration Day

led

Antes de começar, quero apenas deixar claro que não sou escritor e, com tal dificuldade, transpor as sensações que meus olhos e ouvidos me transmitem é uma tarefa um tanto quanto complicada. Bom, foda-se.

Tenho 27 anos. Bem e mal vividos. Considero-me um ser um pouco diferente em relação aos meus colegas de idade. E isso tem, também, um alto custo. Mas acredito, também, que aquelas partes intrínsecas, que te fazem quem você é, simplesmente não podem ser sufocadas.

Não tive a felicidade de crescer em uma família musical (desculpa mãe!). Quando ouço Fábio Jr., Roupa Nova e Jon Secada em rádios e afins, ainda hoje em dia, me pego até cantarolando. Cresceu comigo até os 13 anos, e eu não conhecia nada além disso.

O Exterminador do Futuro 2 me apresentou ao Guns N’ Roses, que me levou ao The Rolling Stones. Com amigos descobri Iron Maiden e Sepultura. E esse é quem eu era com 13, 14 anos. Quem me apresentou a Led Zeppelin foi um grande amigo, André Lungov. Um dos meus maiores parceiros intelectuais, musicais, ou simplesmente daqueles amigos com a gente se sente à vontade no silêncio.

Lembro-me claramente que quando ouvi não senti nada. Peço desculpas por isso. Também acredito que a arte só te toca quando você está preparado para ser tocado. Aconteceu o mesmo com o Pink Floyd, Vinícius de Moraes, Muddy Waters, Thelonious Monk, Chopin, Miró, Kubrick, Coppola, etc. Mas isso é outra história.

Entretanto, de uma hora para outra, minha relação com o Led Zeppelin passou a ser de dependência química, como se isso fosse possível. Eu passei a decorar, sem consciência do que acontecia, os discos, histórias, notas, bends, erros, barulhos do pedal do bumbo, risos não editados. Roubando a genial descrição do meu amigo Gale, vocalista da minha banda, eu acredito, também, que posso tocar na minha cabeça, com perfeição de detalhes, todos os discos deles. Mesmo os “ao vivo”.

Mas ainda assim, eu demorei para compreender Led Zeppelin e a profundidade emocional que em que eles me afetam.
No entanto, 2 terças-feiras seguidas me reservaram o melhor: Show do Robert Plant e a estréia de Celebration Day nos cinemas. Após isso (e reassistindo o DVD até levar minha mulher à completa demência), eu percebi que compreendia perfeitamente. Há um tempo já.

Não sei se devo tentar explicar, mas Led Zeppelin, para mim, representa liberdade, ousadia, talento, amizade, amor, carinho, respeito, sexo, violência, entrega.

O desprovimento de qualquer racionalidade e o reconhecimento que só se é quando se sente.
Eles não são o meu único amor. Eu sou uma puta musical. Mas eles certamente são o maior.

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